Internacional

Witkoff e Kushner levam a Kiev resultados de conversações com Putin em Moscovo

Os enviados especiais dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner, mantiveram, este domingo, conversações em Kiev com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, um dia depois de terem reunido com o homólogo russo, Vladimir Putin, no Kremlin, no âmbito da nova tentativa da administração Trump para pôr fim à guerra na Ucrânia.

Trata-se do primeiro encontro directo entre os enviados norte-americanos e Zelensky desde Janeiro, numa altura em que a guerra aérea entre os dois países se tem vindo a intensificar. Na sexta-feira, a Rússia atingiu, pela primeira vez, a sede do serviço de segurança ucraniano (SBU) em Kiev.

Para permitir as deslocações dos enviados norte-americanos com segurança, a Rússia e a Ucrânia acordaram suspender ataques aéreos às respectivas capitais durante o fim-de-semana, uma trégua limitada que, no entanto, não se traduziu num cessar-fogo mais alargado nem impediu ataques russos noutras regiões ucranianas, que terão causado, segundo o Serviço de Emergência do Estado ucraniano, pelo menos uma morte e mais de dez feridos, incluindo um ataque mortal com drone em Zaporíjia.

As conversações em Moscovo, realizadas a portas fechadas no Kremlin no sábado, prolongaram-se por mais de três horas. Putin disse aos enviados norte-americanos que pôr fim à guerra “não é simples” e destacou sucessos das forças russas no terreno, mantendo inalteradas as suas exigências territoriais, que continuam a ser inaceitáveis para Kiev. O assessor de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov, classificou o encontro como “construtivo e útil”, sem adiantar pormenores sobre eventuais entendimentos alcançados, e referiu que a conversa abordou também a possibilidade de projectos económicos conjuntos entre a Rússia e os Estados Unidos.

Já em Kiev, Zelensky voltou a defender um encontro directo entre Putin e o Presidente norte-americano, Donald Trump, como forma de desbloquear o processo. Witkoff, por seu lado, apelou às duas partes para que “façam alguns compromissos”, tendo classificado as conversações em Kiev como “substantivas” e afirmado sentir-se “muito encorajado”.

Trump tinha adiantado, antes da viagem dos enviados, que estes levavam consigo “uma proposta para acabar com a guerra”, mostrando-se optimista quanto às hipóteses de sucesso. Contudo, analistas mantêm-se cépticos quanto ao alcance real desta ronda negocial. O antigo general australiano Mick Ryan considerou que “a realidade deste esforço diplomático actual é que está a repetir a mesma abordagem que tem falhado consistentemente”, numa alusão ao impasse gerado pelas exigências territoriais russas, que Kiev continua a recusar aceitar.

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