Internacional

EUA usaram acesso a chips da Nvidia como moeda de troca para selar acordo de paz entre Arménia e Azerbaijão

Os Estados Unidos utilizaram o acesso a chips de inteligência artificial da Nvidia como instrumento de negociação para garantir um acordo de paz preliminar entre a Arménia e o Azerbaijão, no ano passado, numa extensão notável da chamada “diplomacia dos chips” norte-americana. A informação, avançada inicialmente pelo Wall Street Journal, cita fontes envolvidas nas negociações.

Segundo o jornal norte-americano, os negociadores dos EUA concederam aprovações alargadas para a compra de chips Nvidia destinados a um projecto de centro de dados na Arménia, em troca da participação de Yerevan num acordo destinado a pôr fim a décadas de conflito em torno de Nagorno-Karabakh. Os negociadores norte-americanos concluíram, em 2025, que a Arménia estaria mais disposta a avançar com um acordo caso o processo de paz fosse acompanhado de um estreitamento das relações económicas com os Estados Unidos.

O elemento central deste incentivo foi a autorização para a venda à Arménia de chips Nvidia mais avançados, incluindo processadores das gamas Grace Blackwell e Vera Rubin, destinados ao projecto Firebird, um centro de dados de inteligência artificial de grande escala, avaliado em mais de cinco mil milhões de dólares, e que deverá albergar cerca de 70 mil servidores Nvidia, com capacidade de computação de cerca de 300 megawatts até ao final do próximo ano. Segundo o WSJ, um documento datado de Junho de 2025, elaborado pela equipa do enviado especial norte-americano Steve Witkoff, delineava já planos para aprofundar a relação económica da Arménia com os Estados Unidos, apoiar o sector tecnológico arménio e conceder licenças de exportação para os chips necessários ao projecto Firebird.

Em Agosto de 2025, o primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinyan, e o Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, reuniram-se com o Presidente norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca, ocasião em que os dois países rubricaram o texto de um acordo de paz composto por 17 artigos, e assinaram uma declaração conjunta com os passos seguintes rumo à normalização das relações bilaterais. A declaração previa ainda a criação de um corredor de trânsito, apelidado de “Trump Route for International Peace and Prosperity” (TRIPP), que atravessaria território arménio.

Uma porta-voz de Pashinyan afirmou ao Wall Street Journal que a paz com o Azerbaijão constituía “a promessa mais importante” do executivo arménio, sublinhando que o primeiro-ministro dispunha de um “mandato claro do povo” para a concretizar. Descreveu ainda os acordos assinados com Washington em Agosto de 2025, incluindo um memorando sobre semicondutores e inteligência artificial, como “importantes dividendos de paz oferecidos à Arménia”.

O caso arménio surge como um dos primeiros exemplos conhecidos de utilização de tecnologia de ponta como moeda de troca em negociações destinadas a resolver um conflito armado. Sob a administração Trump, o acesso a hardware avançado de inteligência artificial tem sido repetidamente usado como instrumento de negociação, incluindo para reforçar laços com os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, bem como como incentivo em discussões comerciais com a China. Segundo um analista da publicação Just Security, sob Trump, “a política de semicondutores está agora na mesa das negociações”.

Relacionadas

Witkoff e Kushner levam a Kiev resultados de conversações com

Os enviados especiais dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared

ONU aprova resolução para corrigir distorções históricas nos mapas-múndi

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, na sexta-feira, dia

EUA usaram acesso a chips da Nvidia como moeda de

Os Estados Unidos utilizaram o acesso a chips de inteligência