O memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão foi assinado. A confirmação chegou na noite de quarta-feira, com imagens dos presidentes dos dois países a rubricar o documento — Donald Trump durante um jantar com o Presidente francês no Palácio de Versalhes, após a cimeira do G7, e Masoud Pezeshkian em imagens divulgadas pela agência governamental iraniana IRNA.
“Está assinado. Assinado em Versalhes. Acabei de o assinar”, declarou Trump à saída. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghai, confirmou que “o texto do Memorando de Entendimento de Islamabade foi finalizado com as assinaturas dos presidentes” e que “é agora tempo de testar a implementação deste acordo”. Baghai acrescentou que a cerimónia formal prevista para esta sexta-feira na estância alpina suíça de Bürgenstock — com o vice-presidente norte-americano JD Vance e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf — poderá já não ser necessária.
Nos termos do acordo, o Irão reabre sem demora o Estreito de Ormuz e os Estados Unidos levantam imediatamente o bloqueio naval — efeitos que, segundo o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador do processo, entram em vigor “com efeito imediato”. O acordo prevê ainda o fim das hostilidades, limitações ao programa nuclear iraniano e o início de negociações sobre os mísseis balísticos de Teerão. Nos próximos 60 dias, os dois países discutirão um mecanismo para a gestão das reservas de urânio iraniano, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA). Washington comprometeu-se também a facilitar um fundo de 300 mil milhões de dólares, com parceiros regionais, para a reconstrução e o desenvolvimento económico do Irão.
Trump não deixou, porém, de deixar um aviso: caso o Irão não respeite os termos do acordo, os Estados Unidos poderão recorrer novamente à acção militar.
Teerão e Hezbollah cantam vitória
Do lado iraniano, o tom foi de triunfo. O presidente do Parlamento, Ghalibaf, considerou que o acordo “reconhece o fracasso dos Estados Unidos” e avisou que o Estreito de Ormuz “não voltará às condições anteriores à guerra” — deixando claro que o Irão tenciona cobrar taxas aos navios que atravessem o estreito após o período de negociação de 60 dias.
O secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, descreveu o entendimento como uma “grande vitória” para o Irão e agradeceu a Teerão por ter garantido a inclusão da frente libanesa nas negociações. O acordo estabelece que não se iniciem “guerras ou operações militares” entre as partes e garante “a integridade territorial e a soberania do Líbano”. Qassem apelou, no entanto, ao Governo libanês para interromper as negociações directas com Israel que decorrem desde Abril sob mediação norte-americana — um pedido que colide com a posição do Presidente libanês Josef Aoun, que considera esses dois processos independentes.