Internacional

Trump ameaça “bombardear” Omã se país “atrapalhar” acordo com o Irão sobre o Estreito de Ormuz

O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou bombardear o Omã caso o país “se meta no caminho” de um entendimento com o Irão sobre o controlo do Estreito de Ormuz, numa altura em que Teerão e Mascate prosseguem negociações sobre o acesso a esta rota marítima estratégica — não necessariamente em termos que Washington veria com bons olhos.

“Se o Omã se meter no caminho, vamos bombardeá-los até não sobrar nada”, declarou Trump, em entrevista à Fox News, citado por vários órgãos de comunicação social norte-americanos. As declarações surgem no dia em que expira o prazo de 60 dias fixado em junho pelos Estados Unidos e o Irão para negociar um acordo que ponha fim à guerra entre os dois países e reabra a navegação no estreito, sem que exista, até ao momento, um entendimento concreto à vista.

Apesar da ameaça, o Omã mantém-se activo como mediador entre Washington e Teerão. O Irão anunciou, este fim de semana, ter chegado a um entendimento com Mascate sobre um plano para a passagem de embarcações no estreito, com o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, a afirmar que “foi alcançado um entendimento quanto ao mapa da rota de trânsito”, sem, no entanto, especificar detalhes sobre eventuais taxas a cobrar aos navios.

Segundo um responsável norte-americano citado pela plataforma Semafor, existe preocupação em Washington de que “o Omã e o Irão possam fechar um acordo com um esquema de portagens” para o estreito, contornando os Estados Unidos. “A maioria dos países da região ficaria satisfeita com isso”, afirmou a mesma fonte. “Mas Trump quer mesmo poder dizer que reabriu o estreito sem uma portagem directa.”

Questionado sobre uma eventual perda de paciência em relação ao Omã, Trump disse aos jornalistas que o país “não se tem comportado muito bem”, mas garantiu que os Estados Unidos “têm lidado com eles com muita facilidade”.

A ameaça surge num contexto de forte tensão regional: o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz caiu drasticamente nas últimas semanas, com apenas cerca de uma dezena de navios a atravessar a via nos últimos dias, face a uma média de mais de uma centena de embarcações por dia antes do início do conflito entre Washington e Teerão. Em resposta às declarações de Trump, o senador democrata Tim Kaine anunciou a intenção de apresentar, quando o Senado regressar do recesso de Agosto, uma resolução destinada a impedir uma acção militar dos Estados Unidos contra o Omã, aliado histórico de Washington na região do Golfo.

 

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