Negócios

Access Bank disponibiliza mais de 300 milhões de dólares para negócios entre Angola e a China

O banco quer chegar a cerca de 500 empresas chinesas instaladas no país e aposta no yuan, nas cartas de crédito e na sua rede internacional para financiar comércio e infraestruturas.

O Access Bank Angola anunciou a disponibilização de mais de 300 milhões de dólares para apoiar operações comerciais e investimentos entre Angola e a China. A estratégia foi apresentada à comunidade empresarial chinesa instalada no país e pretende facilitar importações, investimentos e projectos de empresas que operam nos dois mercados.

O anúncio acompanhou a assinatura, a 23 de Setembro, em Luanda, de um acordo entre o banco, a Câmara de Comércio Angola-China (CAC) e a Associação Empresarial de Luanda. O acordo visa reforçar as operações financeiras entre os dois países, com particular enfoque na mobilização de investimento privado, na utilização do renminbi (yuan) e nos pagamentos transfronteiriços.

500 empresas na mira

Segundo o presidente da Comissão Executiva do Access Bank Angola, Ricardo Ferreira, o banco tem capacidade para acompanhar as cerca de 500 empresas chinesas instaladas em Angola. Pode também confirmar cartas de crédito através da sua estrutura no Reino Unido, um instrumento importante para as importações.

A estratégia passa por apoiar o comércio e a construção, sobretudo de pontes, aeroportos, caminhos-de-ferro, portos e hospitais, sectores em que as empresas chinesas têm tido um papel de destaque nas últimas décadas.

O banco aposta na dimensão internacional do grupo, com presença em 25 países e activos superiores a 36 mil milhões de dólares, para ligar África aos principais corredores mundiais de comércio e investimento. Entre essas estruturas estão uma sucursal em Hong Kong e operações em vários mercados africanos. A operação contou ainda com o apoio do escritório de representação do banco em Xangai.

O objectivo é transformar os fluxos comerciais existentes em operações de investimento mais estruturadas, com acesso mais directo a instrumentos de financiamento.

O acordo surge num novo contexto regulatório. Desde Julho, através da Directiva n.º 05/2026 do Banco Nacional de Angola (BNA), o renminbi passou a integrar as moedas elegíveis para o cumprimento das reservas obrigatórias em moeda estrangeira dos bancos, ao lado do dólar norte-americano, do euro e do rand sul-africano. Neste quadro, o CIPS, o sistema chinês de pagamentos interbancários transfronteiriços em renminbi, ganha importância para tornar mais rápidas as operações entre os dois mercados.

CAC quer atrair novos investidores

A Câmara de Comércio Angola-China reúne mais de 250 empresas e nove associações de empresários chineses no mercado angolano. Com a parceria, pretende apoiar as empresas associadas e atrair novos investidores.

O presidente da CAC, Luís Cupenala, considerou que o acordo vai reforçar a eficácia dos instrumentos financeiros e mostra a vontade da associação de colaborar na mobilização de investimento privado em Angola. Destacou ainda as soluções de financiamento ao comércio e de pagamentos transfronteiriços como determinantes para simplificar os fluxos de capital e dinamizar as trocas bilaterais.

A iniciativa insere-se numa relação económica de grande dimensão. Existem cerca de 600 empresas de capitais chineses no país, e o stock acumulado de investimento chinês aproxima-se dos 28 mil milhões de dólares.

Relacionadas

Brasil decide Presidência na segunda volta com um Congresso mais

Flávio Bolsonaro e Lula da Silva disputam a Presidência a

Access Bank disponibiliza mais de 300 milhões de dólares para

O banco quer chegar a cerca de 500 empresas chinesas

Contas Públicas no Verde: OGE de 2025 encerra com excedente

O Orçamento Geral do Estado (OGE) referente ao exercício económico