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Brasil decide Presidência na segunda volta com um Congresso mais à direita

Flávio Bolsonaro e Lula da Silva disputam a Presidência a 25 de Outubro, depois de uma primeira volta muito renhida. Nas mesmas eleições, o Partido Liberal conquistou a maior bancada da Câmara desde 1988, um terço do Senado e vários governos estaduais.

O Brasil vai decidir a Presidência a 25 de Outubro, numa segunda volta entre o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, depois de uma primeira volta extraordinariamente renhida, que o filho do antigo Presidente venceu. Com 99,96% das secções apuradas, Flávio obteve 47,04% dos votos válidos, contra 45,15% de Lula. O senador venceu em 15 estados e no Distrito Federal, incluindo Minas Gerais e Tocantins, onde Lula tinha ganho em 2022.

O resultado presidencial foi acompanhado de um forte avanço conservador no Congresso e nos governos estaduais, com o Partido Liberal (PL), de Flávio Bolsonaro, a abrir uma ampla vantagem sobre o Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula.

O PL elegeu 121 deputados federais e terá, a partir de Fevereiro de 2027, a maior bancada da Câmara dos Deputados. São mais 22 lugares do que em 2022, e é a maior representação de um único partido desde a promulgação da Constituição de 1988.

A federação liderada pelo PT, que inclui o PCdoB e o PV, ficou em segundo lugar, com 82 deputados, 70 dos quais do PT. A vantagem do PL é de 33 lugares, o que reforça o peso do partido na eleição do presidente da Câmara, na distribuição das comissões e nas votações de interesse do próximo governo. Seguem-se o PSD, com 44 deputados, o Republicanos, com 40, o MDB, com 36, e o Podemos, com 27.

Senado: um terço para o PL

Foram renovados 54 dos 81 lugares do Senado. O PL elegeu 19 senadores e passa a ter 28, um terço da câmara alta. O MDB e o PT surgem a seguir, com oito lugares cada.

Entre os eleitos destacam-se vários nomes da família Bolsonaro e do seu círculo próximo:

  • Distrito Federal: a antiga primeira-dama Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL. Michelle teve mais de 890 mil votos.
  • Santa Catarina: Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, ambos do PL.
  • São Paulo: Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).
  • Rio de Janeiro: Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL.
  • Paraná: Filipe Barros (PL) e o antigo procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo).
  • Rio Grande do Sul: Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo).
  • Minas Gerais: Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT), uma das poucas vitórias petistas no Sudeste.
  • Mato Grosso do Sul: o antigo governador Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos do PL.

Outros eleitos incluem Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União) em Goiás, Mauro Mendes (União) e Zé Medeiros (PL) em Mato Grosso, Marcio Bittar (PL) e Mara Rocha (Republicanos) no Acre, Fernando Máximo e Bruno Scheid (ambos PL) em Rondônia, Nicoletti (PL) e Teresa Surita (MDB) em Roraima, e Eduardo Gomes (PL) e Alexandre Guimarães (MDB) no Tocantins.

Governadores: 20 estados decididos à primeira volta

Vinte estados elegeram o governador logo na primeira volta. Por partido, os resultados foram os seguintes:

  • Republicanos: Tarcísio de Freitas foi reeleito em São Paulo, Cleitinho Azevedo venceu em Minas Gerais e Otaviano Pivetta em Mato Grosso.
  • PL: Jorginho Mello foi reeleito em Santa Catarina, e o partido venceu ainda no Paraná, com o antigo juiz Sergio Moro, no Rio Grande do Sul, com Zucco, em Rondônia, com Marcos Rogério, e em Roraima, com Arthur Henrique.
  • PT: foram reeleitos Jerônimo Rodrigues na Bahia, Elmano de Freitas no Ceará e Rafael Fonteles no Piauí, este com um dos resultados mais expressivos, quase 71% dos votos.
  • PSD: Raquel Lyra venceu em Pernambuco, Eduardo Braide no Maranhão, Dr. Furlan no Amapá e Fábio em Sergipe.
  • Outros partidos: Eduardo Riedel (PP) foi reeleito em Mato Grosso do Sul, Daniel Vilela (MDB) venceu em Goiás, Lucas Ribeiro (PP) na Paraíba, Dr. Daniel (Podemos) no Pará e JHC (PSDB) em Alagoas, na disputa mais renhida, contra Renan Filho (MDB).

Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, Tarcísio de Freitas confirmou o recuo da esquerda ao vencer com 62,65% dos votos, contra 36,42% de Fernando Haddad (PT). Antigo ministro das Infra-estruturas de Jair Bolsonaro, Tarcísio governa o estado desde 2023. Em Minas Gerais, o segundo maior colégio, Cleitinho Azevedo derrotou Patrus Ananias (PT) com 55,40% dos votos, contra 26,34%. Pernambuco também trouxe uma derrota para a esquerda: Raquel Lyra venceu João Campos (PSB), um dos aliados de Lula na região.

O resultado no Rio de Janeiro ainda não está definido. Douglas Ruas (PL) obteve 49,27% dos votos, contra 42,76% de Eduardo Paes. Tudo depende da decisão do Tribunal Superior Eleitoral sobre a candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos): se for indeferida, os seus 3,18% podem ser anulados, e Ruas passaria os 50%, sendo eleito à primeira volta.

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