A Sonangol provisionou integralmente cerca de 390 mil milhões de kwanzas em empréstimos concedidos às empresas Force Petroleum Angola e Genius, considerando reduzida a probabilidade de recuperação dos valores em dívida, segundo o relatório e contas da petrolífera referente a 2025.
De acordo com o documento, os financiamentos foram concedidos no âmbito da Lei do Fomento Empresarial, mecanismo criado para apoiar empresas privadas angolanas, mas que ao longo dos anos tem sido associado a dificuldades de reembolso e a elevados níveis de incumprimento.
A decisão da petrolífera estatal reflecte o agravamento do risco financeiro associado às dívidas das empresas Force PetroleumAngola, ligada ao empresário Desidério Costa, e Genius, associada a João de Matos.
No relatório, a Sonangol considera que a probabilidade de recuperação dos montantes é reduzida, razão pela qual procedeu à provisão total da dívida.
O caso junta-se a outros episódios de créditos considerados de difícil recuperação envolvendo entidades nacionais e estrangeiras financiadas pela petrolífera, incluindo operações relacionadas com a China Sonangol International, ASPENWAY, Acrep, Dammer e o extinto GRN.
Analistas consideram que estes passivos continuam a expor fragilidades estruturais da empresa, numa altura em que a Sonangol enfrenta desafios de financiamento para grandes projectos estratégicos, como a refinaria do Lobito, além das dívidas cruzadas com o Estado.
O relatório surge também num contexto de crescente debate sobre a sustentabilidade financeira da petrolífera e sobre a necessidade de reformas estruturais no sector empresarial público.
Estudos recentes têm apontado para um declínio estrutural da empresa e defendido medidas como privatizações parciais e maior racionalização financeira para reduzir a pressão sobre as contas da companhia.
O documento da Sonangol não faz referência a novos investimentos ligados à Amufert, tema que vinha sendo acompanhado pelo mercado.