Internacional

Xi Jinping avisa Trump sobre Taiwan, mas ambos reforçam cooperação em Pequim

O Presidente chinês, Xi Jinping, alertou esta quinta-feira o Presidente norte-americano, Donald Trump, para o risco de um conflito entre a China e os Estados Unidos caso a questão de Taiwan seja “mal gerida”. Apesar do tom firme sobre um dos temas mais sensíveis da relação bilateral, os dois líderes procuraram transmitir uma imagem de aproximação e cooperação durante a cimeira realizada em Pequim.

A visita de Trump à China, a primeira de um Presidente norte-americano em quase uma década, poderá ser determinante para avaliar se a trégua nas tensões entre as duas maiores economias mundiais terá continuidade.

O encontro decorreu com grande aparato protocolar na capital chinesa. Xi Jinping recebeu Donald Trump à entrada do Grande Palácio do Povo, seguindo-se uma cerimónia com guarda de honra, crianças a acenar bandeiras e uma salva de 21 tiros na Praça Tiananmen.

As conversações entre os dois chefes de Estado prolongaram-se por mais de duas horas. Xi defendeu que China e Estados Unidos devem ser “parceiros e não adversários”, enquanto Trump elogiou o homólogo chinês, classificando-o como “um grande líder”.

Mais tarde, num jantar de Estado, Xi Jinping afirmou que “o grande rejuvenescimento da nação chinesa e tornar a América grande novamente podem caminhar lado a lado”. Donald Trump agradeceu a “recepçãomagnífica” e convidou formalmente Xi para visitar a Casa Branca a 24 de Setembro.

Apesar do ambiente cordial, Taiwan voltou a destacar-se como o principal ponto de tensão. Segundo a agência oficial chinesa Xinhua, Xi Jinping advertiu que, “se a questão for maltratada, os dois países podem colidir ou até entrar em confronto, colocando toda a relação sino-americana numa situação extremamente perigosa”.

Além de Taiwan, os líderes abordaram temas como o comércio bilateral, o Médio Oriente, a guerra na Ucrânia e a situação na Península Coreana.

De acordo com a Casa Branca, Washington e Pequim concordaram ainda na importância de manter aberto o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o abastecimento energético mundial, afectada pela escalada do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. Os dois países reiteraram também que o Irão “nunca poderá possuir uma arma nuclear”.

As discussões incluíram ainda o combate ao tráfico de fentanil, o acesso de empresas norte-americanas ao mercado chinês e o reforço dos investimentos chineses nos Estados Unidos, bem como o aumento das compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos.

No plano comercial, a China autorizou esta quinta-feira centenas de matadouros norte-americanos a retomarem as exportações de carne bovina para o mercado chinês, numa medida interpretada como sinal de boa vontade antes das negociações entre os dois líderes.

A questão dos direitos humanos deverá, contudo, continuar a marcar divergências entre os dois países. Donald Trump afirmou que pretende abordar o caso de Jimmy Lai, empresário dos media e activista pró-democracia detido em Hong Kong, embora outros temas, como a repressão da minoria uigur, não devam ocupar lugar central na agenda.

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