Operação, avaliada em cerca de 10,3 mil milhões de euros, foi anunciada em Fevereiro e ficou concluída esta semana, depois de aprovações dos accionistas do Webster e dos reguladores norte-americanos e europeus, incluindo a Reserva Federal. Instituição resultante da fusão soma 281,8 mil milhões de euros em activos.
O Grupo Santander é, desde esta quinta-feira, oficialmente proprietário do norte-americano Webster Bank. O banco espanhol informou que a operação foi concluída a 20 de Agosto, passando a Santander Holdings USA a deter a Webster Financial Corporation, holding do Webster Bank, N.A. O Santander considera este um “marco significativo na estratégia de crescimento” da instituição nos Estados Unidos.
A aquisição, anunciada a 3 de Fevereiro deste ano, estava avaliada em cerca de 12,3 mil milhões de dólares à data do anúncio, e correspondia a cerca de 4% dos activos totais do Santander. Ao abrigo do acordo, os accionistas do Webster receberam 48,75 dólares em dinheiro e 2,0548 ADS (certificados representativos de acções) do Santander por cada acção da Webster que detinham. A operação foi aprovada pelos acionistas do Webster a 26 de Maio, pela Office of the Comptroller of the Currency, o regulador bancário norte-americano, a 12 de Junho, pelo Banco Central Europeu a 21 de Julho, e, já em Agosto, pela Reserva Federal dos Estados Unidos — a última autorização em falta para o fecho do negócio.
Reorganização de lideranças e integração de sedes
De acordo com a informação prestada pelo Santander, Christiana Riley mantém-se como CEO do Santander US e “country head” nos Estados Unidos. Já o ex-CEO do Webster Bank, John Ciulla, passa a ser CEO do Santander Bank, enquanto o antigo presidente e COO do banco adquirido transita para COO do Santander US e do Santander Bank. O presidente do Conselho de Administração da Santander Holdings US, Tim Ryan, mantém as suas funções, esclarece o banco em comunicado.
A antiga sede do Webster em Stamford, Connecticut, passa a ser um “corporate hub” para o Santander nos EUA, a par da sede americana em Boston e dos restantes “corporate hubs” em Nova Iorque, Miami e Dallas.
Para os clientes, adianta o banco, não há alterações resultantes da aquisição. “Contas e produtos vão continuar a ser acedidos e usados da mesma forma”, garante a instituição, acrescentando que os clientes de ambos os bancos vão poder aceder gratuitamente aos ATM tanto do Santander como do Webster.
Entre os dez maiores bancos de retalho dos EUA
A operação permite ao Santander posicionar-se entre os dez maiores bancos de retalho e de empresas dos Estados Unidos por ativos, e entre os cinco maiores por depósitos em estados-chave do nordeste norte-americano. A entidade resultante da fusão dos dois bancos conta com uma folha de balanço com 281,8 mil milhões de euros em activos, 159,4 mil milhões em empréstimos e 148,2 mil milhões em depósitos, segundo dados de Dezembro de 2025.
No âmbito da operação, o Santander executou ainda um aumento de capital com contribuições não dinheiráveis, no quadro do financiamento da aquisição. A conclusão do negócio coincide também com a exclusão do Webster do índice S&P MidCap 400, sendo substituído pela Sun Communities antes da abertura do mercado bolsista de hoje.