Economia

Governo prevê 144 mil toneladas de fertilizantes para reforçar campanha agrícola 2026/2027

O Governo angolano prevê disponibilizar 90 mil toneladas de fertilizantes no arranque da Campanha Agrícola 2026/2027, com a chegada de mais 54 mil toneladas prevista até Novembro, numa estratégia destinada a reforçar a oferta de insumos e aumentar a capacidade produtiva nacional.

A informação foi avançada pelo ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, durante a 23.ª edição do CaféCIPRA, realizada quarta-feira, 19 de Agosto, em Luanda, sob o tema “A construção de estradas como alavanca à produção nacional”.

Segundo o governante, estão previstas mais 27 mil toneladas de fertilizantes até ao final de Setembro e outras 27 mil toneladas em Novembro, elevando para 144 mil toneladas o volume previsto no quadro do reforço do abastecimento à campanha agrícola. O ministro reconheceu, contudo, que a disponibilidade permanece abaixo das necessidades do país, num contexto internacional condicionado pelos conflitos no Médio Oriente e entre a Rússia e a Ucrânia.

A política do Executivo para o sector passa igualmente pela regulação do preço dos fertilizantes, com uma redução progressiva da distribuição gratuita dos insumos. Para o Governo, a alteração pretende criar condições para que a agricultura deixe de estar excessivamente dependente de apoios e se consolide como uma actividade económica rentável.

No segmento das sementes, o Executivo aposta nos chamados acordos-quadro, mecanismo que permite antecipar a aquisição dos insumos e conferir maior previsibilidade ao abastecimento das próximas campanhas agrícolas.

A estratégia de dinamização da produção nacional inclui ainda o reforço das cadeias de valor do café, palmares e pecuária, através da distribuição de plantas, pintos e bovinos, além de programas de inseminação artificial. O Governo tem promovido igualmente “dias de campo”, com o objectivo de aproximar os produtores de novas tecnologias e práticas agrícolas.

A aposta está também orientada para a substituição de importações e o aumento da capacidade exportadora, com Angola a trabalhar na adaptação da produção nacional aos requisitos dos mercados da União Europeia, China e Médio Oriente. A implementação de padrões de qualidade e boas práticas de produção é apontada como uma das condições para ampliar a presença dos produtos angolanos nesses mercados.

Com o apoio de parceiros internacionais, incluindo agências das Nações Unidas, FIDA, Banco Africano de Desenvolvimento e Banco Mundial, estão a ser mobilizados recursos para transformar a agricultura familiar, tradicionalmente orientada para o autoconsumo, numa actividade com maior integração no mercado.

Os investimentos abrangem ainda infra-estruturas de apoio à produção e investigação agronómica e veterinária. No Huambo, encontra-se em construção uma unidade bioveterinária associada a uma fábrica de vacinas, junto do Instituto de Investigação Agronómica, cuja entrada em produção está prevista ainda para este ano.

A unidade deverá contribuir para o abastecimento de vacinas destinadas aos sectores bovino, ovino, caprino e avícola. Angola já produz vacinas contra a doença de Newcastle e pretende ampliar progressivamente a produção nacional de vacinas veterinárias.

Para o Executivo, o aumento da disponibilidade de insumos, a melhoria das infra-estruturas, a investigação e a industrialização dos factores de produção constituem instrumentos para elevar a produtividade agrícola, reduzir a factura de importação de alimentos e fortalecer a participação da produção nacional na economia.

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