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Sancorp negoceia participações em dois blocos de águas profundas e numa refinaria em Angola

A Sancorp Group, grupo de energia e trading sediado no Dubai, encontra-se em negociações avançadas para adquirir participações minoritárias em dois blocos em produção em águas profundas em Angola, procurando igualmente adquirir uma participação no capital de uma das refinarias previstas para o país, no âmbito de uma estratégia mais ampla que visa alargar a sua presença do trading de crude e produtos refinados para o investimento directo em activos de upstream e refinação.

O anúncio foi feito em comunicado divulgado esta quarta-feira, à margem da conferência e exposição Angola Oil & Gas (AOG) 2026, que decorreu esta semana em Luanda, e no qual participou Efe Tunde-Imoyo, presidente executivo da Sancorp. Com operações em vários mercados da África Subsariana, a Sancorp mantém uma relação comercial estabelecida com Angola através da Sonangol e actua ao longo de toda a cadeia de valor do sector energético, tendo já estruturado mais de dois mil milhões de dólares em investimentos no sector de petróleo e gás em África.

Para Efe Tunde-Imoyo, Angola ocupa uma posição relevante na estratégia de crescimento do grupo. “Estamos aqui para apoiar Angola e estamos aqui para investir em Angola. Estamos encorajados pelos progressos alcançados e o nosso compromisso de investir no país mantém-se forte”, afirmou o gestor, em Luanda.

No segmento de upstream, as negociações incidem sobre participações minoritárias em dois blocos em produção em águas profundas, actualmente operados por um consórcio internacional. Caso se concretizem, as operações permitirão à Sancorp deter uma participação directa na produção de crude em Angola. Já no segmento de downstream, o grupo procura adquirir uma participação no capital de uma das refinarias previstas para o país — área que a Sancorp considera estratégica para o reforço da segurança energética angolana e para a redução da dependência de produtos refinados importados. Este interesse surge num momento em que Angola tem em curso vários projectos estruturantes de refinação, entre os quais a Refinaria do Lobito e uma futura unidade petroquímica, apontados pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, como prioritários na estratégia nacional de reforço da capacidade de transformação de hidrocarbonetos.

A Sancorp comercializa gasolina, gasóleo e outros produtos petrolíferos refinados em vários mercados africanos e mantém relações comerciais com operadores e refinarias em todo o continente, incluindo a Dangote Petroleum Refinery, na Nigéria, além de outros parceiros como a Trafigura, a Mercuria e a Société Ivoirienne de Raffinage, na Costa do Marfim. Segundo dados divulgados pela própria empresa no âmbito da sua participação, também este ano, na African Energy Week, em Cape Town, o grupo entregou mais de 36 mil toneladas de gasóleo apenas no terminal de Abidjan em Julho, além de deter uma licença certificada pelo governo da Costa do Marfim para importação e distribuição de fertilizantes, fornecendo anualmente 500 mil sacos de ureia e adubos NPK.

A expansão da Sancorp em Angola integra uma estratégia regional mais ampla, que abrange igualmente a Zâmbia e a República Democrática do Congo, tendo o grupo identificado o Corredor do Lobito como um eixo relevante para a ligação entre estes mercados. “Somos uma empresa pan-africana, com ligações ao Médio Oriente. Estamos actualmente presentes em sete países africanos e estamos a expandir o nosso foco através da Zâmbia, da República Democrática do Congo, de Angola e do Corredor do Lobito”, afirmou Efe Tunde-Imoyo.

O interesse da Sancorp surge numa altura em que o Governo angolano tem reforçado os esforços para atrair investimento privado para o sector petrolífero e de gás, tendo o ministro Diamantino Azevedo anunciado, durante a mesma conferência AOG 2026, a disponibilização de 37 novos blocos onshore para exploração, além de outras áreas em águas profundas e ultraprofundas, no âmbito da Estratégia dos Hidrocarbonetos 2025-2050.

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