O Banco Central Europeu (BCE) subiu esta quinta-feira as taxas de juro em um quarto de ponto percentual, numa tentativa de conter a inflação que tem vindo a ser alimentada pelos elevados preços do petróleo, num contexto marcado pela guerra entre os Estados Unidos e o Irão. A decisão foi apoiada por uma economia mais robusta do que o esperado, que sugere que as empresas conseguem suportar o aumento do custo do crédito.
O banco central dos 21 países da União Europeia que utilizam o euro elevou a sua taxa de referência em 25 pontos base, fixando a taxa de depósito em 2,50%, numa reunião realizada em Berlim — fora da sede do BCE, em Frankfurt. As três taxas oficiais do banco subiram em igual medida: além da taxa de depósito, a taxa principal de refinanciamento passa para 2,65% e a taxa de facilidade permanente de cedência de liquidez para 2,90%, com entrada em vigor a partir de 16 de Setembro. Trata-se da segunda subida de juros do BCE em 2026, depois de uma anterior a 11 de Junho, à qual se seguiu uma pausa.
Em comunicado, o banco afirmou que “o conflito no Médio Oriente continua a gerar pressões inflacionistas, e a inflação deverá manter-se bem acima da meta durante um período prolongado”. A presidente do BCE, Christine Lagarde, sublinhou, em conferência de imprensa, que “as perspectivas continuam altamente incertas, com riscos em alta para a inflação e em baixa para o crescimento económico”, acrescentando que o banco continuará a tomar as suas decisões reunião a reunião, com base nos dados disponíveis.
Os elevados preços da energia são um dos principais factores por trás da subida da inflação na zona euro, que se fixou em 3,3% em Agosto, acima da meta de 2% do banco central — bem acima do objectivo de médio prazo do BCE. Os preços do petróleo têm subido acima dos 100 dólares por barril, devido à redução do tráfego de petroleiros através do Estreito de Ormuz, ameaçado por ataques iranianos, numa escalada que já dura vários meses entre Washington e Teerão.
Segundo Carsten Brzeski, responsável global de macroeconomia do banco ING, citado em nota, a decisão do BCE representa “uma subida para se manter à frente da curva, demonstrando o elevado nível de vigilância do banco, e uma tentativa de impedir que os preços mais elevados da energia se propaguem à economia em geral”. As decisões sobre o custo do crédito são complicadas pelo facto de ser impossível prever durante quanto tempo se vão prolongar as restrições à navegação e os preços elevados do petróleo. Taxas de juro mais altas ajudam a conter a inflação ao tornar mais caro o recurso ao crédito para compras, desde habitação a novas fábricas, reduzindo assim a procura por bens e aliviando a pressão sobre os preços — um efeito que se propaga a toda a economia através dos bancos comerciais, primeiros afectados pelas referências do BCE.
As preocupações com a inflação ligada à energia não se limitam à Europa: também a Reserva Federal dos Estados Unidos, cuja próxima reunião de política monetária está marcada para 15 e 16 de Setembro, enfrenta pressões semelhantes. O presidente da Fed, Kevin Warsh, admitiu que o banco central norte-americano poderá ter “mais trabalho a fazer” para conter a inflação nos Estados Unidos, actualmente em 3,7%.