Pedro Sánchez subiu à tribuna do Congresso dos Deputados esta semana para aquilo que apresentou como uma prestação de contas sobre “a situação política relacionada com as últimas investigações judiciais”. Saiu sem ter respondido a nenhuma das questões essenciais.
Em vez de assumir responsabilidades políticas pelos escândalos que rodeiam o seu partido e o seu Governo, o presidente espanhol optou pela reivindicação, pela vitimização e pelo contra-ataque.
Sánchez dedicou a maior parte da sua intervenção às corrupções que afectam ou afectaram o PP, o principal partido da oposição, evitando desenvolver qualquer explicação sobre as investigações que envolvem o PSOE e membros do seu próprio Governo. A estratégia de defesa assentou num argumento recorrente: a oposição constrói uma “teia judicial” para “confundir” os cidadãos e alimentar a sensação de que “todos somos iguais” — uma “cortina de fumo”, nas suas palavras, para “distorcer a realidade”.
O primeiro-ministro espanhol encerrou com um recado claro a quem esperava sinais de recuo: “Como é que não havemos de continuar?” A Moncloa considera que este tipo de debate lhe é favorável quando enquadrado como uma questão de modelo de resposta à corrupção, permitindo a confrontação com o PP e evitando o terreno das explicações concretas.
Ábalos: a única referência directa
A única menção substantiva a um caso que envolve directamente o seu executivo foi a do ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos, condenado a 24 anos de prisão. Sánchez classificou-o como “um caso flagrante” que afecta “pessoas concretas” que aproveitaram o seu poder e influência no Governo “para ganhar dinheiro”. Foi a primeira e única reacção pública do presidente ao caso desde que a sentença foi conhecida.
Os restantes escândalos que rodeiam o PSOE e membros do Governo ficaram sem resposta. O debate aconteceu, a prestação de contas, não.