A instituição pública está a poucos passos de cumprir, já a meio do ano, o objectivo de recuperação de crédito malparado fixado para todo o 2026.
A Recredit – Gestão de Activos recuperou 28,19 mil milhões de kwanzas entre Janeiro e Junho deste ano, equivalente a 94% da meta anual fixada para o ano inteiro, segundo uma nota da instituição divulgada esta semana. A empresa recorda que tinha estabelecido como objectivo recuperar 30 mil milhões de kwanzas ao longo de 2026, valor que está agora prestes a ser atingido ainda antes do final do primeiro semestre do exercício.
O desempenho do primeiro semestre surge na sequência de resultados positivos registados pela Recredit nos últimos exercícios. Em 2025, a empresa recuperou cerca de 30,8 mil milhões de kwanzas, superando a meta de 30 mil milhões então definida — um cumprimento de 103% do objectivo traçado, segundo dados apresentados pela presidente do Conselho de Administração, Mirian Ferreira, no início deste ano. Em 2024, a Recredit tinha já superado a fasquia, recuperando 31,19 mil milhões de kwanzas, face a uma meta de 28,5 mil milhões — o equivalente a 109% do objectivo.
A instituição, criada em 4 de Agosto de 2016 pelo Estado com o propósito de adquirir, gerir, recuperar e reestruturar créditos malparados — sobretudo os do Banco de Poupança e Crédito (BPC) — para ajudar a sanear a banca pública, recuperar activos e reforçar a estabilidade do sistema financeiro angolano, fechou o exercício de 2025 com um resultado líquido de 53,31 mil milhões de kwanzas, um crescimento de 10% face a 2024, aproximando-se do desempenho dos maiores bancos públicos do sistema financeiro angolano.
Morosidade judicial continua a ser o principal obstáculo
Apesar dos resultados anuais consistentemente acima das metas fixadas, a recuperação acumulada de crédito malparado desde o início da actividade da Recredit permanece ainda distante do valor total das carteiras adquiridas ao BPC. Só junto deste banco, a instituição adquiriu 476 processos de crédito, num montante de cerca de 288,87 mil milhões de kwanzas, dos quais recuperou até ao final de 2025 cerca de 48%.
A lentidão dos tribunais continua a ser apontada pela gestão da Recredit como o principal entrave à recuperação integral dos activos, com vários processos judiciais associados a grandes grupos económicos a arrastarem-se sem desfecho, o que tem dificultado a monetização de parte significativa do crédito adquirido ao longo dos últimos anos.
Foto: Presidente do Conselho de Administração da Recredit, Mirian Ferreira