Mercados Financeiros

Guerra no Irão transforma refinaria nigeriana de Dangote na maior exportadora mundial de jet fuel

Refinaria nigeriana tornou-se fornecedora essencial de combustíveis para compradores afectados pelas disrupções provocadas pelo conflito, tendo-se tornado, em Abril e Maio, a maior exportadora mundial de jet fuel. Operação prepara agora aquela que poderá ser a maior oferta pública inicial (IPO) de sempre em África.

A fortuna da maior refinaria de petróleo de África está a disparar, impulsionada pela guerra no Irão. A Refinaria Dangote garantiu, esta semana, mil milhões de dólares em apoio financeiro, numa fase que antecede a prevista oferta pública inicial (IPO) da empresa, que deverá tornar-se a maior operação de sempre em bolsa no continente africano.

O montante, estruturado pela Marob Strategies and Consulting DIFC e pela Lilium Capital, inclui uma tranche de 600 milhões de dólares já totalmente financiada, referente à colocação privada concluída pela refinaria, e um compromisso adicional de 400 milhões de dólares para apoiar a futura IPO. “A conclusão bem-sucedida da colocação privada, em conjunto com o compromisso de subscrição de 400 milhões de dólares (…) em apoio à IPO planeada, reflecte a confiança no papel estratégico da refinaria”, afirmou Aliko Dangote, em comunicado conjunto com os assessores financeiros da operação.

A procura pela IPO da Dangote surge no contexto da expansão da unidade de Lagos, com capacidade para processar 650 mil barris de petróleo por dia, que se tornou a principal fornecedora doméstica de combustíveis refinados para o mercado nigeriano e foi ainda, segundo a S&P Global Energy, “a maior exportadora mundial de combustível de aviação” em abril e maio deste ano, com remessas a chegar aos Estados Unidos pela primeira vez este ano. Segundo Devakumar Edwin, vice-presidente da Dangote Industries, a refinaria foi também a maior fornecedora de combustível de aviação e diesel da Europa no mês passado.

Um analista citado pelo The New York Times descreveu a refinaria como uma verdadeira “tábua de salvação” para compradores cujo abastecimento tem sido afetado pela guerra no Irão. “Quando a guerra rebentou, comerciantes e governos de todo o mundo, especialmente em África, começaram a ligar-nos a pedir fornecimentos”, afirmou Edwin. “Os preços do petróleo bruto subiram, mas os preços dos produtos refinados subiram muito mais.”

Fortuna de Dangote dispara mais de 5 mil milhões de dólares

Segundo o mesmo jornal norte-americano, Aliko Dangote está hoje mais de 5 mil milhões de dólares mais rico do que estava em Fevereiro, em grande parte devido ao conflito. A refinaria, avaliada em 20 mil milhões de dólares e situada em Ibeju-Lekki, nos arredores de Lagos, atingiu a capacidade operacional plena poucas semanas antes de os Estados Unidos e Israel lançarem o ataque ao Irão, a 28 de Fevereiro. Desde então, a procura pelos seus produtos tem disparado.

A refinaria já tinha, aliás, validado a sua utilidade estratégica antes mesmo do início da guerra: ao longo de 2025, conseguiu conquistar a liderança do abastecimento do mercado doméstico nigeriano, que até então dependia quase inteiramente da importação de combustíveis refinados, apesar de a Nigéria ser um dos maiores produtores de petróleo bruto de África.

Rumo à maior IPO de sempre em África

A Dangote Petroleum Refinery and Petrochemicals FZE submeteu já um pedido de oferta pública inicial junto da Comissão de Valores Mobiliários da Nigéria, procurando angariar cerca de 5 mil milhões de dólares, num negócio que deverá ser concluído em Outubro e que poderá tornar-se a maior venda de acções de sempre em África. A operação, cuja aprovação regulatória é esperada nas próximas semanas, terá como listagem principal a Bolsa da Nigéria, ainda que bolsas do Quénia, África do Sul, Egito, Gana e Ruanda tenham já manifestado interesse em participar.

Segundo fontes próximas do processo, o valor final da operação poderá ter em conta os 2,5 mil milhões de dólares angariados numa colocação privada realizada em Julho, que avaliou a refinaria em cerca de 40 mil milhões de dólares — uma operação que ficou 3,7 vezes sobrescrita, com forte procura por parte de investidores institucionais africanos e internacionais. Parte dos fundos angariados destina-se a elevar a capacidade de refinação da unidade, dos actuais 650 mil para 1,4 milhões de barris diários até 2028.

Foto: Aliko Dangote, Presidente da Refinaria Dangote

Relacionadas

EUA retomam financiamento à investigação científica na África do Sul

O Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos Estados Unidoslevantou a

Infraestruturas e logística entram no centro da estratégia para dinamizar

Angola prevê mais de 78 mil milhões de kwanzas em

Sector mineiro reforça criação de emprego em Angola, com crescimento

Entre 2021 e 2025, a taxa de empregabilidade no sector