Gigante energética norueguesa junta-se à Chevron, à QatarEnergy e à namibiana Trago Energy na Bacia do Orange, transformando a costa do país num dos destinos mais cobiçados do sector petrolífero em África subsaariana. Negócio surge a par de uma aposta paralela da Namíbia numa indústria verde de vários milhares de milhões de dólares.
A norueguesa Equinor comprou uma participação no bloco offshore da Chevron na Namíbia, tornando-se a mais recente gigante energética mundial a apostar no crescente boom petrolífero ao largo da costa do país. A Equinor assinou um acordo com a Harmattan Energy Limited, subsidiária da Chevron na Namíbia, para adquirir uma participação de 17,4% na Licença de Exploração Petrolífera 90 (PEL 90), na Bacia do Orange, ao largo da costa namibiana.
A operação marca a entrada da Equinor no mercado namibiano e dá-lhe acesso a um alvo de perfuração já pronto a explorar, com testes previstos para 2026. “Esta transacção está alinhada com a nossa estratégia de reforçar e renovar o nosso portefólio internacional através de um crescimento focado e disciplinado. A Namíbia é uma bacia promissora que acrescenta valor opcional atractivo ao nosso portefólio e complementa a nossa posição mais alargada na Margem Atlântica”, afirmou Philippe Mathieu, vice-presidente executivo da Equinor para a Exploração e Produção Internacional.
A licença abrange o Bloco 2813B na Bacia do Orange e é operada pela Chevron, em profundidades de água que variam entre os 2.300 e os 3.300 metros. Antes desta transação, a subsidiária da Chevron detinha uma participação de 52,5% na PEL 90. Os restantes parceiros da licença são a QatarEnergy, com 27,5%, a Trago Energy, com 10%, e a estatal petrolífera namibiana NAMCOR, também com 10%. A conclusão do negócio está ainda sujeita a aprovações regulatórias e ao cumprimento das condições habituais de fecho.
Namíbia consolida-se como novo destino quente da exploração offshore
A entrada da Equinor junta-se à da Chevron, da QatarEnergy e de empresas namibianas como a Trago Energy na transformação da costa do país sudoeste africano, que passou de fronteira exploratória por comprovar a um dos destinos mais quentes de exploração petrolífera em África subsaariana. A estatal petrolífera NAMCOR detém uma participação garantida de 10% em todas as licenças de exploração, o que dá a Windhoek uma fatia directa de qualquer produção futura, sem custos iniciais de perfuração.
Segundo a Reuters, esta é a primeira entrada da Equinor num novo país a montante (“upstream”) desde a sua expansão para a Argentina, em 2017. A Bacia do Orange, uma das zonas de exploração mais observadas a nível mundial, tem registado uma sucessão de descobertas de petróleo nos últimos anos, atraindo o interesse de grandes petrolíferas na aquisição de áreas para explorar.
Os negócios petrolíferos na Namíbia estão a desenrolar-se em paralelo com a aposta do país na construção de uma indústria verde avaliada em vários milhares de milhões de dólares. Esta estratégia dupla é, em parte, sustentada pelo renovado apoio de Washington aos combustíveis fósseis, que inclui o descongelamento de financiamento ao desenvolvimento destinado a projectos de petróleo e gás em África.
Foto: Philippe Mathieu, vice-presidente executivo da Equinor para a Exploração e Produção Internacional