Internacional

Quem manda no Irão enquanto o país pondera negociações com os EUA

Ao ouvir Donald Trump, pode parecer que pouco mudou na liderança do Irão desde o início da guerra. A passagem pelo Estreito de Ormuz poderia ser controlada “por mim e pelo aiatola”, sugeriu o presidente norte-americano aos jornalistas esta semana. Mas, enquanto Teerão contempla retomar negociações, a questão central é: quem tem autoridade para fechar um acordo com os EUA e garantir que ele se mantém?

O suposto líder supremo, Mojtaba Khamenei, não é visto nem ouvido desde que o seu predecessor e pai foi morto no início do conflito, a 28 de Fevereiro. O seu lugar foi ocupado por uma rede opaca e descentralizada de instituições, desenhada para proteger o regime de ataques de decapitação. No núcleo desta estrutura está o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), força paramilitar com 190.000 elementos que agora aparenta gerir tanto o Estado como a guerra. “Esta guerra é uma bênção para o IRGC”, porque “consolidou o seu lugar à frente do país” afirmou um iraniano exilado com contactos de alto nível no regime, citado pela The Economist.

Fontes próximas do regime descrevem um sistema que mudou de uma teocracia para algo mais próximo de uma junta militar, semelhante ao que se vê na Argélia, no Egito ou no Paquistão. “Passámos do poder divino para o poder militar”, comenta um observador. Segundo a Constituição, o líder supremo do Irão deveria ser um clérigo sénior, mas a ascensão de Khamenei deveu-se menos a credenciais religiosas e mais ao desejo do IRGC de manter a continuidade. Os clérigos foram pressionados a endossar a sua liderança. Ainda assim, Khamenei continua notoriamente ausente – oficialmente por questões de segurança. Rumores apontam para que esteja em coma, num hospital em Moscovo ou mesmo morto. “Não está claro se é capaz de tomar decisões significativas”, nota Raz Zimmt, analista israelita. Caso reapareça, será provavelmente como figura decorativa. “Agora é o exército quem puxa as cordas”, acrescenta Mohamed Amersi, empresário britânico com contactos no regime.

Na prática, a autoridade passou para o IRGC. O Conselho de Segurança Nacional, dominado por militares, define a estratégia global. A 24 de março, substituiu Larijani, antigo professor de Filosofia, por Muhammad Zulghadr, um aparatchik do IRGC. Entre os membros encontram-se Muhammad Bagher Qalibaf, presidente do parlamento e veterano do IRGC, e vários generais da Guarda.

Observadores acreditam que o corpo mantém firme controlo sobre os mísseis mais avançados e de maior alcance do Irão.

Para potenciais negociadores norte-americanos, isto representa um desafio. Apesar do seu comando, o IRGC não é monolítico. Alguns líderes, como Hossein Alaei, general reformista reformado, são abertamente moderados. Qalibaf lidera um grupo pragmático, oscilando entre radicalismo e moderação conforme o momento. Estes grupos poderiam estar abertos ao diálogo, mas há também muitos duros que rejeitam qualquer compromisso. O líder desta facção é Saeed Jalili, antigo membro da Guarda que obteve 13,5 milhões de votos na última eleição presidencial. Não é certo que todas as facções obedecessem a uma ordem para terminar hostilidades com os EUA ou cumprir um acordo sobre desenvolvimento nuclear.

A descentralização do IRGC aumenta ainda mais a complexidade. O Basij, o corpo de milícias de segurança interna, foi igualmente repartido em milhares de células móveis. Após ataques israelitas, dispersaram-se por mesquitas, escolas ou acampamentos improvisados, criando potencial para uma guerrilha persistente capaz de bloquear o Estreito de Ormuz indefinidamente.

A esperança de uma revolta popular também diminuiu. Um professor em Mashhad resume: “Falávamos no fim do regime quando a guerra terminasse. Agora receamos lidar com um regime mais forte e poderoso do que nunca.”

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