Mercados Financeiros

PMEs angolanas precisam de ferramentas de gestão para crescer, defendem especialistas

A necessidade de capacitação em gestão e de estruturação de processos internos voltou ao centro do debate num fórum de capacitação executiva realizado em Luanda, que juntou cerca de 60 empresários de diversos sectores para discutir a eficiência operacional e a sustentabilidade dos negócios face ao actual cenário macroeconómico.

O encontro ocorre num momento em que o sector privado é chamado a assumir um papel mais activo na criação de emprego e na estabilização económica do País.

Para os especialistas, a falta de ferramentas práticas de liderança, a ausência de indicadores de performance e as debilidades na cultura organizacional figuram como os principais obstáculos ao crescimento das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) em Angola, limitando a sua capacidade de atracção de capital e de escala.

Maurício Guimarães, director executivo do Grupo Acelerador Angola e um dos dinamizadores do debate, defende que o motor de desenvolvimento do País tem de transitar da esfera pública para o mercado livre. “A criação de emprego e o crescimento da economia angolana não dependem apenas do Estado, mas também da capacidade do sector empresarial nacional”, afirmou, sublinhando a urgência de dotar as PMEs de robustez operacional para que possam suportar a pressão do mercado e reduzir a dependência crónica dos contratos e subsídios estatais.

Entre os operadores económicos, a visão aponta para uma reestruturação urgente no modelo de actuação das empresas locais. Adanildo Pedro, director da ENG23, defende que a sobrevivência no actual contexto exige uma profunda “mudança de mentalidade” e uma maior abertura para parcerias estratégicas intersectoriais capazes de gerar valor acrescentado.

As dificuldades ao nível do capital humano e da organização interna também continuam a condicionar a eficiência das empresas. Muanha Da Liberdade, directora-geral da Livraria Universo dos Livros, aponta o recrutamento, a departamentalização e a automatização de processos como os principais pontos de estrangulamento que as estruturas corporativas nacionais precisam de resolver com urgência.

 

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