Os preços do petróleo ultrapassaram novamente os 100 dólares por barril e as bolsas recuaram esta segunda-feira, após o colapso das negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão e o anúncio de um bloqueio ao estratégico Estreito de Ormuz.
A escalada de tensão no Golfo Pérsico voltou a agitar os mercados internacionais, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um bloqueio naval ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo e gás.
A medida surge poucas horas após o fracasso das conversações diplomáticas entre Washington e Teerão, lançando incerteza sobre o cessar-fogo frágil alcançado uns dias antes e prolongando um conflito que já dura várias semanas.
Os mercados reagiram de imediato. O preço do Brent — referência internacional — subiu mais de 7%, ultrapassando os 100 dólares por barril, enquanto o crude norte-americano West Texas Intermediate (WTI) avançou mais de 8%, aproximando-se dos 105 dólares .
A subida reflecte o receio de interrupções no fornecimento global, já que cerca de um quinto do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, entre o Irão e Omã, uma rota vital para o comércio energético .
Ao mesmo tempo, os mercados accionistas registaram quedas. Os futuros do S&P 500 recuaram cerca de 1%, enquanto bolsas asiáticas, particularmente dependentes de importações energéticas, também negociaram em baixa.
O plano norte-americano prevê restringir o tráfego marítimo associado ao Irão, visando cortar receitas petrolíferas de Teerão. “Não vamos permitir que o Irão ganhe dinheiro com a venda de petróleo”, afirmou Trump.
Apesar disso, o comando militar dos EUA esclareceu que navios com destino a portos não iranianos poderão continuar a circular, numa tentativa de limitar o impacto global da medida.
A incerteza mantém os investidores em alerta, num contexto em que o transporte marítimo na região já foi significativamente reduzido devido ao risco de ataques e à instabilidade crescente.
Entretanto, os preços dos combustíveis permanecem elevados. Nos Estados Unidos, a gasolina ronda os 4,13 dólares por galão, acumulando uma subida significativa desde o início do conflito, enquanto o gasóleo registou aumentos ainda mais acentuados.
Analistas alertam que a evolução da situação dependerá da resposta iraniana e de eventuais novos desenvolvimentos diplomáticos, num cenário que poderá continuar a pressionar os mercados energéticos e a economia global nas próximas semanas.