O falecimento de Manuel Domingos Augusto, esta sexta-feira em Luanda, vítima de doença prolongada, gerou uma vaga de condolências em Angola e em Portugal. Do Presidente João Lourenço ao embaixador português Francisco Seixas da Costa, que o conheceu há mais de quarenta anos, as homenagens sublinham uma vida dedicada à diplomacia e ao serviço público.
O Presidente da República de Angola, João Lourenço, foi uma das primeiras figuras a reagir à morte do antigo ministro das Relações Exteriores Manuel Domingos Augusto. “Foi com a mais profunda dor que tomei conhecimento do falecimento de Manuel Domingos Augusto, figura de destaque da vida política nacional, da diplomacia e do jornalismo. Angola perde um filho que dedicou o melhor do seu tempo e da sua vida à defesa dos superiores interesses do Povo”, afirmou o Chefe de Estado, acrescentando que o país “perde precocemente um quadro talhado para a mais elevada e refinada performance no cumprimento do dever”.
O presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, expressou “profunda consternação” pelo desaparecimento do deputado, salientando que a sua perda deixa “um profundo vazio” não só em Angola, mas também no Parlamento Pan-Africano e na União Parlamentar Africana, instituições onde Manuel Domingos Augusto se distinguiu pelo compromisso com a integração africana e a promoção da paz e da cooperação entre povos. O falecimento levou ainda ao adiamento das Jornadas Parlamentares do MPLA, previstas para este fim de semana.
O MPLA, partido onde exerceu funções como secretário do Bureau Político para as Relações Internacionais, prestou igualmente homenagem ao “prestigiado filho de Angola”, destacando uma vida ao serviço do partido e do país.
Em Portugal, o secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, lembrou Manuel Domingos Augusto como uma “personalidade incontornável”, sublinhando o seu “compromisso com Angola, com a diplomacia e com o diálogo internacional”.
Das homenagens mais pessoais, destaca-se a do embaixador português Francisco Seixas da Costa, que conheceu Manuel Domingos Augusto em Luanda em 1982, quando ambos serviam nas respectivasdiplomacias. “Criámos, a partir de então, uma sólida e fraternal amizade, para toda a vida”, escreveu Seixas da Costa, recordando décadas de encontros “desde logo, várias vezes em Lisboa, mas também em Londres, em Paris e Nova Iorque”. O diplomata português descreveu a chegada do amigo a sua casa como “sempre um momento de alegria, de boa disposição, a certeza de umas horas de convívio saudável”. E concluiu com uma frase que resume o peso da perda: “Sentimo-nos um pouco mais velhos quando vemos desaparecer os amigos à nossa volta. Hoje, com a morte inesperada do Manuel Augusto, perdi um grande amigo e envelheci um pouco mais.”
Manuel Domingos Augusto nasceu a 2 de setembro de 1957. Iniciou a carreira no jornalismo antes de ingressar na diplomacia, tendo representado Angola como embaixador em vários postos estratégicos. Chefiou o Ministério das Relações Exteriores entre 2017 e 2022, sendo substituído no cargo por TéteAntónio.