Livro de Sonia Purnell, com o título original ‘Kingmaker’, foi eleito Livro do Ano por mais de 15 publicações, incluindo The New Yorker, The Economist e Financial Times. Nora de Winston Churchill, Pamela Harriman cruzou caminho com os Kennedy, Truman Capote, Frank Sinatra ou Nelson Mandela, entre tantos outros, e foi decisiva na ascensão de um improvável Bill Clinton como candidato dos democratas à Casa Branca, onde ele chegaria.
“A Fazedora de Reis”, é o título do livro publicado em Portugal pela D. Quixote, da jornalista e biógrafa britânica Sonia Purnell, conta a vida de Pamela Churchill Harriman (1920-1997), aristocrata britânica que se tornou uma das mulheres mais influentes do século XX — desde noiva de Randolph Churchill, filho do primeiro-ministro britânico, até embaixadora dos Estados Unidos em França, nomeada pelo presidente Bill Clinton. O livro chega às livrarias portuguesas depois de um lançamento aclamado no mercado anglo-saxónico, em outubro de 2024, com o título original “Kingmaker: Pamela Harriman’s Astonishing Life of Power, Seduction, and Intrigue”.
A obra recebeu recensões muito positivas nos principais órgãos de comunicação britânicos e norte-americanos. A revista The New Yorker descreveu-a como “um relato minucioso da ascensão de Harriman que consegue ainda ser uma leitura ágil e cheia de reviravoltas… fascinante e reveladora.”
O escritor William Boyd classificou a biografia como um “triunfo”, enquanto a revista Town & Country e a Harper’s a incluíram nas suas listas de leitura obrigatória, tendo a obra sido ainda escolhida como livro do mês pela Apple Books. Segundo a editora, a Purnell foi também apontada como uma das autoras mais aguardadas do outono de 2024 por publicações como o jornal britânico The Guardian e a livraria londrina Hatchards.
Grande parte da crítica destaca o propósito central do livro: reabilitar a imagem de Harriman, que em vida e após a morte foi frequentemente reduzida a estereótipos sexistas — a “sedutora do século”, a trepadora social ou a simples cortesã dos poderosos. Segundo a sinopse da editora norte-americana, quando Pamela Churchill Harriman morreu em 1997, os obituários que se seguiram foram previsivelmente cáusticos, e muitos deles descaradamente sexistas, apagando o seu verdadeiro legado sob uma vida social glamorosa e as suas alegadas aventuras eróticas.
Um dos comentários mais citados, da autora Liza Mundy (best-seller do New York Times), resume o tom do livro como “um estudo rico e matizado sobre o poder — o seu fascínio, os seus perigos, as gratificações e o enorme custo da sua conquista.”
Um retrato do poder no feminino
Segundo análises publicadas na imprensa anglo-saxónica, Purnell não se limita a narrar romances e casamentos de conveniência — três, ao todo, incluindo o produtor da Broadway Leland Hayward e o diplomata Averell Harriman —, mas sublinha o papel político de bastidores desempenhado por Pamela ao longo de cinco décadas, dos gabinetes de Londres durante a Segunda Guerra Mundial ao financiamento e reorganização do Partido Democrata norte-americano nos anos 1980. A biógrafa argumenta que a protagonista foi, de facto, uma operadora política de fação própria, cujas capacidades diplomáticas rivalizavam com as de actores oficiais da política internacional, tendo cruzado o caminho de figuras como os Kennedy, Truman Capote, Frank Sinatra ou Nelson Mandela.