Desporto

Mundial 2026 deverá render à FIFA quase 8,9 mil milhões USD, um recorde na história da competição

A Federação Internacional de Futebol (FIFA) estima arrecadar cerca de 8,9 mil milhões USD com a edição de 2026 do Mundial, mais aproximadamente 2 mil milhões USD do que na edição de 2022, realizada no Qatar, segundo o orçamento revisto para o ciclo 2023-2026.

O recorde, segundo dados do Bank of AmericaInstitute, é resultado da expansão do campeonato de 32 para 48 selecções e do aumento para 104 jogos, impulsionado ainda pelos direitos de transmissão e de marketing, pelo uso de estádios de grande capacidade e pelos gastos com cartões de crédito e débito nas cidades que recebem partidas.

Do total a arrecadar, 3,925 mil milhões USD devem vir da venda de direitos de transmissão, o equivalente a 44% da receita. Outros 3,017 mil milhões USD são esperados com hospitalidade e venda de bilhetes, enquanto os direitos de marketing devem gerar 1,786 mil milhões USD. Segundo a consultora Ampere Analysis, os direitos de transmissão registam uma subida de cerca de 22% face à edição anterior, e as receitas de patrocínio deverão crescer perto de 37%.

Para cobrir o orçamento operacional total do evento, a organização aplicou 3,8 mil milhões USD, tornando este o Mundial mais dispendioso de sempre. Ainda assim, a FIFA mantém a meta de atingir 13 mil milhões USD de receita para todo o ciclo de quatro anos entre 2023 e 2026.

Além das receitas da própria FIFA, o Mundial tem movimentado diversos sectores da economia. Segundo a Bloomberg, as empresas responsáveis pela operação de alimentação e bebidas nos estádios registam forte crescimento nas vendas. Em alguns locais, por exemplo, o gasto médio dos adeptos por pessoa chegou a 100 USD durante os jogos, quase o dobro do observado em jogos da National FootballLeague (NFL), a principal liga profissional de futebol americano.

As cidades-sede também começam a registar impactos positivos. De acordo com o Bank ofAmerica Institute, o período entre 10 e 21 de Junho registou uma alta de 6,3% nos gastos com cartões de crédito e débito nas cidades que recebem partidas, em comparação com o mesmo período do ano passado. Entre os visitantes vindos de outras cidades, o avanço foi de 16,7%.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) estima que o torneio venha a gerar 80,1 mil milhões USD em produção económica bruta a nível global, dos quais 30,5 mil milhões USD beneficiarão apenas a economia norte-americana, país anfitrião ao lado do Canadá e do México.

A expansão do Mundial também elevou o valor total da premiação distribuída às selecções para 871 milhões USD, um recorde. Cada uma das 48 equipas participantes recebe, no mínimo, 12,5 milhões USD, mais 2 milhões USD do que em 2022. O montante mínimo inclui 2,5 milhões USD destinados à preparação para a competição e 10 milhões USD garantidos mesmo às selecções eliminadas ainda na fase de grupos. A selecção campeã poderá arrecadar até 53,5 milhões USD no total, mais 11,5 milhões USD do que a Argentina recebeu há quatro anos.

Uma parte significativa da receita resulta ainda da introdução, pela primeira vez num Mundial, de um sistema de preços dinâmicos para os bilhetes, que variam consoante a procura — o que tem gerado polémica, com bilhetes para alguns jogos a custar até dez vezes mais do que no Qatar em 2022.

 

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