Osvaldo Lemos Macaia sustenta que o aumento do financiamento à economia deve assentar numa rigorosa avaliação do risco, numa maior capacidade de captação de poupança e no reforço dos fundos próprios da banca, evitando a repetição dos erros que marcaram o passado do sistema financeiro angolano.
09.07.2026
O Presidente da Comissão Executiva do Banco Sol, Osvaldo Lemos Macaia, defendeu esta quarta-feira, 8, um modelo de concessão de crédito assente na prudência, na disciplina de risco e na gestão responsável dos recursos confiados pelos depositantes às instituições financeiras. Na visão do gestor, o crescimento do financiamento à economia deve ser sustentado por análises rigorosas da viabilidade dos projectos, salvaguardando simultaneamente a estabilidade do sistema financeiro e a confiança dos clientes.
Ao intervir na 5.ª edição da Mesa Redonda com os CEO’s, promovida pela Global Corporation Services, Osvaldo Macaia sublinhou que o principal activo dos bancos não são os seus recursos próprios, mas sim as poupanças dos clientes, razão pela qual a decisão de conceder crédito exige critérios técnicos rigorosos e uma avaliação permanente da capacidade de reembolso dos projectos financiados.
“A concessão de crédito pelos bancos deve assentar em análises de risco rigorosas, assegurando uma alocação responsável dos recursos à economia e aos projectos”, apontou.
Para o CEO do Banco Sol, a experiência recente da banca angolana demonstra que um crescimento do crédito desligado da qualidade dos activos pode comprometer a sustentabilidade das instituições financeiras. Recordou que o sistema bancário nacional registou, há poucos anos, níveis muito elevados de crédito em incumprimento, realidade que obrigou o regulador e os próprios bancos a reforçarem significativamente os mecanismos de avaliação de risco e de governação.
“Conhecemos bem o nosso passado recente, marcado por níveis muito elevados de crédito em incumprimento. Hoje, fruto do reforço da regulamentação promovido pelo regulador e da melhoria da capacidade dos bancos na avaliação dos riscos associados aos projectos de investimento, as instituições financeiras passaram a adoptar uma postura mais prudente na concessão de crédito à economia. Julgo que, ainda assim, os bancos têm sido capazes de responder, de forma adequada, às necessidades de financiamento das empresas do nosso País”, lembrou o gestor.
Na sua perspectiva, a maior selectividade actualmente observada na concessão de financiamento não representa uma retracção do sector bancário, mas antes uma evolução do modelo de gestão, orientado para preservar os recursos dos depositantes, garantir a solidez das instituições e assegurar que o crédito seja canalizado para projectos com capacidade efectiva de gerar valor e honrar os seus compromissos financeiros.
Ainda assim, o gestor rejeitou a ideia de que a banca esteja a deixar de financiar a economia. Citando dados do estudo Banca em Análise, referiu que o crédito à economia cresceu cerca de 93% nos últimos cinco anos, com maior aceleração nos três anos mais recentes, sinal de que continuam a surgir projectos com qualidade suficiente para merecer financiamento.
Osvaldo Macaia identificou igualmente os principais desafios para aumentar a capacidade de financiamento da banca angolana. Entre eles destacou a necessidade de elevar os níveis de poupança, reforçar a captação de depósitos, consolidar os fundos próprios das instituições financeiras através de políticas mais prudentes de distribuição de dividendos e continuar a promover um ambiente macroeconómico estável, capaz de inspirar confiança aos investidores e aos depositantes.
O responsável recordou que o activo agregado da banca angolana continua relativamente reduzido quando comparado com economias africanas mais desenvolvidas, defendendo que o fortalecimento patrimonial das instituições permitirá aumentar, de forma gradual e responsável, a capacidade de financiar sectores estratégicos da economia, incluindo a indústria petrolífera e o conteúdo local.
A posição apresentada reflecte a estratégia que o Banco Sol tem vindo a consolidar no âmbito do seu processo de transformação institucional: crescer de forma sustentada, reforçar a qualidade da carteira de crédito, proteger os recursos dos clientes e afirmar-se como um parceiro financeiro de referência para empresas e investidores, privilegiando a sustentabilidade dos negócios em detrimento de uma expansão baseada na assunção excessiva de risco.