José Mourinho está de regresso ao Real Madrid. Segundo o jornalista italiano e especialista no mercado de transferências Fabrizio Romano, o treinador português chegou a acordo verbal para um contrato de dois anos com o clube espanhol, faltando apenas assinar os documentos. Uma viagem a Madrid está já agendada para depois do último jogo da temporada da La Liga, frente ao Atlético Bilbao, no sábado.
O regresso encerra um período de oito meses no Benfica, clube que Mourinho assumiu em Setembro do ano passado, na sequência da saída de Bruno Lage. Apesar de não ter sofrido qualquer derrota em 34 jornadas, o treinador de 63 anos não conseguiu conquistar o título português — o principal objectivoda temporada.
Mourinho regressa ao Santiago Bernabéu, que deixou em 2013, após três épocas marcadas pela conquista de um campeonato espanhol e uma Taça do Rei. O desafio desta vez, porém, pode ser ainda maior.
Um clube em crise
O Real Madrid soma duas épocas sem títulos relevantes — uma seca incomum para um dos clubes mais exigentes do mundo. O balneário está dividido, com relatos de confrontos físicos entre jogadores nas últimas semanas. Mourinho herda uma equipa que não se encontrou nem com Xabi Alonso, despedido em Janeiro, nem com o seu substituto Álvaro Arbeloa. Gerir os egos de um plantel estrelado, mas fraturado será um dos primeiros testes ao novo técnico.
Apesar das notícias persistentes, Mourinho negou publicamente qualquer contacto com o Real Madrid. Na conferência de imprensa após a vitória do Benfica sobre o Estoril por 3-1 — último jogo da temporada —, escolheu as palavras com cuidado.
“Não assinei contrato com o Real Madrid, não tenho contrato, não tenho oferta, não tenho nada”, disse. “A única coisa que posso dizer — e quero ser o mais aberto e honesto possível — é que o meu agente falou comigo e disse: ‘Atenção, pode haver uma situação séria com o Real Madrid. Vamos esperar.’ Então, vamos esperar.”
Mourinho confirmou também que o presidente do Benfica, Rui Costa, lhe fez uma proposta de renovação que admitiu não ter lido — embora o seu agente Jorge Mendes a tenha descrito como “um contrato muito bom”. Reconheceu que a ausência de Liga dos Campeões na próxima época — o Benfica jogará na Liga Europa — era um factor na decisão, mas sublinhou que o clube tinha todas as condições para vencer essa competição.
“A Liga Europa não é a competição que está de braço dado com a história e o prestígio do Benfica”, disse, “mas o Benfica pode ganhá-la. Ao contrário da Liga dos Campeões, onde as vitórias ficam normalmente circunscritas a um número limitado de clubes de países financeiramente muito mais fortes do que Portugal.” Uma decisão, prometeu, chegaria muito em breve. Tudo indica que já chegou.