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As melhores escolas de negócios do mundo em 2026: Bocconi lidera nos programas a customizados, LBS nos abertos

O dado mais revelador do ranking deste ano não está nos lugares do pódio — está no conteúdo. A inteligência artificial tornou-se o tema de crescimento mais rápido na formação executiva e está agora presente em três quartos dos programas classificados, apenas ligeiramente abaixo da liderança e das finanças, que historicamente dominaram a oferta.

O Financial Times divulgou o ranking anual de formação executiva para 2026, e pela primeira vez a italiana SDA Bocconi School of Management lidera a categoria de programas personalizados — os chamados custom programmes, desenhados especificamente para empresas clientes. A London Business School (LBS) ficou em segundo lugar, à frente do IMD, em Zurique. Nos programas abertos — cursos de curta duração acessíveis a qualquer executivo —, a LBS manteve a liderança, seguida pela francesa HEC Paris e pela espanhola IESE Business School.

O ranking avalia 100 escolas acreditadas com receitas mínimas de um milhão de dólares em 2025, considerando critérios como desenho dos programas, qualidade do corpo docente e relação qualidade-preço.

O deão da LBS, Sergei Guriev, resume a tendência com uma frase que diz muito sobre o momento: “É muito difícil separar trabalho de aprendizagem, porque tudo muda demasiado depressa. Já não existe trabalho de rotina.” A escola londrina, que reportou 69 milhões de libras em receitas de formação executiva no último exercício, prevê crescimento em 2026 — mesmo com o impacto do conflito no Médio Oriente.

Stefano Caselli, deão da Bocconi, acrescenta que a procura se concentra cada vez mais em liderança, geopolítica, inteligência artificial aplicada e desempenho corporativo sustentável. Entre os clientes da escola milanesa para programas personalizados estão a Saudi Aramco e o banco italiano UniCredit.

O Médio Oriente travou a expansão

O conflito no Médio Oriente, que desde Fevereiro de 2026 opõe os Estados Unidos e Israel ao Irão, teve um impacto direto e mensurável no sector. A expansão de programas na região — que até recentemente registava crescimento acentuado, sobretudo na Arábia Saudita — abrandou significativamente. Alguns cursos foram adiados, outros migrados para o formato online ou para campus fora da região.

“O Médio Oriente está verdadeiramente limitado”, reconhece Melanie Weaver Barnett, diretora executiva da Unicon, aliança de fornecedores de formação executiva. A organização projeta um crescimento global de 37% na próxima década para este segmento — e de 47% nos Estados Unidos — mas admite que a pressão geopolítica está a levar algumas empresas a concentrar-se nos programas disponíveis na sua própria região.

O perfil de quem estuda — e o que as empresas querem

Os participantes nos programas abertos avaliados pelo FT são maioritariamente executivos na casa dos quarenta anos, com uma curiosidade estatística: as mulheres são ligeiramente mais representadas do que os homens até ao final da quarta década de vida, após o que a tendência se inverte.

Do lado da procura corporativa, a tendência é clara: as empresas estão cada vez mais exigentes quanto ao valor do investimento em formação e querem programas alinhados com as suas prioridades específicas — não soluções genéricas. Algumas chegam a exigir que os próprios colaboradores contribuam para o custo dos programas abertos.

Daniel Chadwick, fundador da consultora NexedInsight, nota que a inteligência artificial e a estratégia dominam os temas mais ensinados, mas poucos programas oferecem ainda formação específica em IA agêntica — o próximo front da tecnologia. “As escolas que se moverem mais cedo nesse terreno serão os líderes de mercado esperados”, diz.

Entre as escolas que mais se destacaram em crescimento de receitas e fidelização de clientes nos programas abertos estão a Indian School of Business, a Lagos Business School e a Trinity College Dublin Business School — um trio que aponta para a diversificação geográfica do sector, muito além dos tradicionais centros europeus e norte-americanos.

Lagos Business School, na Nigéria, é considerada a escola africana mais bem posicionada em programas customizados, bem como nos programas abertos. O ranking também inclui a University of Cape TownGraduate School of Business e Henley Business School Africa, ambas na África do Sul.

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