Negócios

Mota-Engil cria empresa autónoma para a mineração em África

A Mota-Engil constituiu uma nova sociedade — a Mota-Engil Mining Services — que reúne os 11 contratos de prestação de serviços de mineração do grupo, até agora dispersos por diferentes empresas, a maioria sob a chancela da Mota-Engil África, a subsidiária que tem em Angola um dos seus mercados históricos mais importantes. A nova empresa será presidida por Manuel Mota, administrador executivo e vice-CEO do grupo.

Embora nenhum dos 11 contratos actualmente agregados na nova sociedade tenha como destino directo o território angolano — distribuindo-se antes por países como Mali, Costa do Marfim, Etiópia, Moçambique, Guiné, África do Sul e ainda a Arménia —, a reorganização tem implicações relevantes para a operação da Mota-Engil em Angola, mercado onde o grupo português mantém uma presença consolidada há décadas através da Mota-Engil África, sobretudo nas áreas de engenharia e construção.

Com esta reestruturação, a mineração passa a funcionar de forma autónoma face às áreas tradicionais de engenharia e construção do grupo, um modelo que poderá vir a ser replicado ou aprofundado nas restantes filiais africanas, incluindo a operação angolana, à medida que a Mota-Engil avança na diversificação do seu negócio para os sectores de recursos naturais, mineração, indústria, ambiente, energia, floresta e créditos de carbono, no âmbito do plano estratégico “Focus 2030”.

O negócio da mineração representou, em 2025, receitas de 732 milhões de euros e um EBITDA de 216 milhões de euros — uma margem de cerca de 30%, uma das mais rentáveis do grupo —, contribuindo, em conjunto com a área industrial, para quase mil milhões de euros de volume de negócios. Este desempenho reforça o peso estratégico do continente africano, e de mercados como o angolano, na estrutura global da Mota-Engil, que reclama o primeiro lugar no ranking da prestação de serviços a empresas mineiras em África.

Para além da prestação de serviços a terceiros, a empresa está também a avançar na exploração de minas próprias, detendo já sete licenças de exploração mineira no continente africano, com o primeiro projecto — de ferro, nos Camarões — a entrar em operação ainda este ano. A lógica de expansão para minas próprias, associada à nova estrutura autónoma da Mota-Engil Mining Services, pode abrir caminho a que o grupo procure oportunidades semelhantes noutros mercados africanos onde já tem presença estabelecida, caso de Angola, ainda que, para já, não existam contratos ou licenças de mineração confirmados no país.

A constituição da nova sociedade poderá também ser um passo preparatório para a entrada de novos investidores nesta área de negócio. Em Março de 2026, no Capital Markets Day do grupo, Manuel Mota admitiu que “abrir capital é uma possibilidade”, adiantando que a empresa já recebeu “aproximações nesse sentido”, sem contudo identificar potenciais investidores ou a percentagem de capital que poderá vir a ser disponibilizada.

A autonomização da mineração insere-se no plano “Focus 2030”, que aponta para um volume de negócios de nove mil milhões de euros até ao final da década (face aos 5,3 mil milhões registados em 2025) e assenta em três prioridades — crescimento, diversificação e disciplina financeira —, com a reciclagem activa de capital, incluindo eventuais parcerias estratégicas, apontada como uma das ferramentas para financiar essa expansão sem depender exclusivamente de endividamento. Para o mercado angolano, onde a Mota-Engil África mantém uma carteira histórica de projectos de infraestruturas, esta reorganização sinaliza uma possível reconfiguração da forma como o grupo estrutura e financia os seus negócios no continente, num momento em que a diversificação para os recursos naturais ganha peso crescente na estratégia global da empresa.

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