Ted Turner, o magnata dos media que revolucionou o jornalismo televisivo ao criar a CNN — o primeiro canal de notícias 24 horas do mundo —, morreu na quarta-feira na sua casa perto de Tallahassee, na Florida. Tinha 87 anos. Em 2018, tinha revelado que sofria de demência de corpos de Lewy (DCL), uma doença neurológica progressiva.
A CNN nasceu a 1 de Junho de 1980, em Atlanta — deliberadamente longe de Nova Iorque e Washington —, e foi ridicularizada pelos rivais como a “Chicken Noodle Network”. Trinta anos depois, a expressão “vi no CNN” tinha-se tornado sinónimo de saber o que se passava no mundo em tempo real. A queda do Muro de Berlim, o massacre de Tiananmen, a Guerra do Golfo de 1991 — foi a CNN de Turner que os mostrou ao mundo enquanto aconteciam. O Presidente George H.W. Bush disse na época que aprendia mais com a CNN do que com a CIA.
Turner não ficou pela CNN. Criou a TBS e a TNT, comprou a biblioteca de filmes da MGM por 1,5 mil milhões de dólares — incluindo E Tudo o Vento Levou e Casablanca —, lançou o Cartoon Network e a Turner Classic Movies, e em 1996 fundiu tudo com a Time Warner numa das maiores fusões mediáticas da história.
Fora dos negócios, ganhou a America’s Cup em 1977, doou mil milhões de dólares à ONU — numa altura em que os seus aliados conservadores odiavam a organização —, tornou-se o quarto maior proprietário privado de terras dos Estados Unidos e criou uma cadeia de restaurantes para promover o consumo de bisonte e salvar a espécie da extinção.
Era chamado “the Mouth of the South” — a Boca do Sul. Casou três vezes, a última com Jane Fonda. Bebeu em excesso, insultou quem não devia e nunca pediu demasiadas desculpas. O seu rival Rupert Murdoch chegou a publicar o título “Turner está louco?” no New York Post. Anos depois, teve de reconhecer que Turner foi uma das figuras mais influentes da história dos media.
Numa entrevista em 1998, Turner disse estar a tentar bater “o recorde de realizações de uma pessoa numa vida só” — e colocou-se na companhia de Alexandre o Grande, Napoleão, Gandhi e Buda. Ninguém o levou muito a sério. E ninguém lhe tirou a CNN.