Mercado & Finanças

Angola lança o Convention Bureau e quer ser “a sala de eventos de África”

Com a economia não petrolífera a crescer 5,11% em 2025 e infraestruturas como o novo aeroporto e o Centro de Convenções de Talatona, Luanda aposta no turismo de congressos como próximo motor de receitas.

Angola tem uma nova estrutura para competir pelo mercado global de congressos, convenções e grandes eventos internacionais: o Angola Convention Bureau, apresentado esta quarta-feira em Luanda no Centro de Convenções de Talatona, sob o lema “A Sala de Eventos de África”.

O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, aproveitou o lançamento para fazer um retrato da economia angolana que serviu de argumento à aposta no turismo: “Angola vive o maior momento de estabilidade macroeconómica”, sustentada por um crescimento mais diversificado. Os números que apresentou mostram uma estrutura económica em transformação — os Serviços representam já 46,8% do PIB, a Agropecuária 25,2%, a Indústria Extractiva 15,4% e a Indústria Transformadora 11,7%. A economia não petrolífera cresceu 5,11% em 2025, impulsionada pela agropecuária, extracção de diamantes, indústria transformadora, comércio, telecomunicações e transportes.

O Angola Convention Bureau não é apenas uma estrutura de promoção turística — é um instrumento de captação de investimento e de rentabilização de infraestruturas que Angola foi construindo nos últimos anos e que ainda estão subapibproveitadas: o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, a rede hoteleira e de restauração, o Centro de Convenções de Talatona e o futuro Centro de Conferências da Chicala, previsto para inauguração ainda este ano.

O sector de alojamento e restauração representa 1,4% do PIB — um número modesto, mas com efeito multiplicador sobre a logística, os transportes, o comércio e os serviços. O mercado MICE — Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions — é precisamente o segmento que transforma essa percentagem em cadeias de valor mais longas e mais intensivas em emprego qualificado.

Angola tem precedentes concretos para argumentar. O país já acolheu a Cimeira de Negócios EUA-África, a Cimeira de Financiamento de Infra-estruturas em África e a Cimeira União Africana-União Europeia — cada uma com mais de mil participantes internacionais. São esses eventos que o Convention Bureau pretende multiplicar e sistematizar.

O presidente da ICCA em Luanda

A presença do presidente executivo da Associação Internacional de Congressos e Convenções (ICCA), Senthil Gopinath, na cerimónia de lançamento não é simbólica. A ICCA é a organização que certifica e classifica os destinos mundiais de turismo de congressos — estar no seu radar é condição para entrar na lista de escolhas dos grandes organizadores internacionais. Gopinath convergiu com os anfitriões angolanos nas potencialidades do país como hub regional de eventos.

O desafio agora é passar da ambição à execução — e convencer os organizadores internacionais de que Luanda é não apenas possível, mas preferível a Nairobi, Cidade do Cabo ou Casablanca.

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