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CPLP cria prémio literário e apoia semba e xibugo na UNESCO

Em Díli, os ministros da Cultura dos países lusófonos decidiram distinguir escritores emergentes, inventariar o património comum e reconhecer duas danças africanas como candidatas a Património Imaterial da Humanidade.

Os ministros da Cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa reuniram-se, esta semana, em Díli, Timor-Leste, e saíram com um conjunto de decisões concretas sobre o futuro cultural do espaço lusófono. A mais simbólica: a criação de um prémio literário dedicado a escritores emergentes — um reconhecimento de que a língua portuguesa só cresce se crescerem também as vozes que a habitam.

O “Prémio Literário da CPLP: A Arte de Escrever em Língua Portuguesa, Novas Vozes” destina-se a incentivar, reconhecer e divulgar novos talentos literários, promovendo a diversidade cultural num espaço que vai de Timor-Leste ao Brasil, passando por oito outros países em quatro continentes. Os detalhes do funcionamento do prémio — periodicidade, categorias, dotação — ficaram por definir publicamente.

Semba e xibugo rumo à UNESCO

Uma das decisões mais concretas da reunião foi o apoio às candidaturas de Angola, com a dança semba, e de Moçambique, com o xibugo, à lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.

As duas danças são expressões de identidade profundamente enraizadas nas suas sociedades — o semba como raiz do samba brasileiro e símbolo da cultura popular angolana, o xibugo como dança cerimonial do sul de Moçambique. O apoio colectivo da CPLP reforça o peso político das candidaturas nos processos de avaliação da organização das Nações Unidas.

Os ministros mandataram ainda a Comissão do Património Cultural da CPLP para realizar um inventário do património material e imaterial dos países lusófonos e criar uma base de dados digital — um projecto ambicioso que reconhece que o espaço da língua portuguesa ainda não tem um mapeamento sistemático do que partilha e do que o distingue.

Foi também renovado o interesse na criação de um Plano Indicativo de Leitura da CPLP — uma iniciativa que aparece há vários anos nas declarações finais destas reuniões sem ter ainda saído do papel. Os ministros propuseram um encontro de trabalho entre os sectores da educação e da cultura e o Instituto Internacional de Língua Portuguesa para definir as linhas de acção.

Memória, escravatura e cinema

A declaração final incluiu ainda uma referência à importância de preservar a memória histórica da escravatura e do tráfico de pessoas escravizadas — uma questão delicada no espaço lusófono, que envolve responsabilidades históricas distintas entre os seus membros. A formulação escolhida — “no respeito pelas competências próprias dos órgãos da CPLP e pelas posições nacionais assumidas nos fóruns multilaterais competentes” — reflecte a sensibilidade política do tema.

Foi também decidido criar uma Rede de Autoridades Cinematográficas e Audiovisuais entre os países membros, reconhecendo o cinema e o audiovisual como vectores de afirmação cultural com crescente impacto global.

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