A Sociedade Mineira do Luele, na província da Lunda Sul, gerou mais de 100 milhões de dólares em receitas para o Estado angolano em 2025, fruto da extração de 6,5 milhões de quilates de diamantes. O objectivo para os próximos anos é ambicioso: duplicar a produção para 12 milhões de quilates anuais — o que, a concretizar-se, representaria um salto significativo nas receitas públicas provenientes do setor diamantífero.
Os números foram partilhados durante uma visita à mina, inaugurada pelo Presidente João Lourenço em Novembro de 2023, do governador provincial da Lunda Sul, Gildo Matias José, e já classificada como um activo estratégico para a economia angolana. O CEO da empresa, Rómulo Mucase, comunicou a meta de duplicação da produção como um objetivo concreto, não apenas uma aspiração.
Mas a visita revelou também uma dimensão que os números de produção não capturam: o impacto direto nas comunidades locais. No reassentamento comunitário construído pela empresa, 350 casas, um centro médico em funcionamento e uma escola com 12 salas de aula compõem um conjunto de infraestruturas que transformaram as condições de vida das famílias deslocadas pela atividade mineira.
É responsabilidade social corporativa com consequências concretas — não um relatório de sustentabilidade, mas infraestruturas que funcionam e comunidades que as usam. Num país onde a extração de recursos naturais tem historicamente beneficiado pouco as populações locais, o modelo do Luele representa uma referência que o governo provincial diz querer consolidar.
Riqueza natural em bem-estar coletivo
A mina do Luele situa-se numa das províncias mais ricas em recursos minerais de Angola — e também numa das que mais tem esperado que essa riqueza se traduzisse em desenvolvimento local. A duplicação da produção prevista pela gestão da empresa, se acompanhada de uma política fiscal e de reinvestimento consistente, pode significar mais capacidade de financiamento de serviços públicos na Lunda Sul e, por extensão, no país.
O desafio, como sempre neste tipo de operações, é garantir que o aumento da produção não fique apenas nos relatórios — e que as receitas geradas percorram o caminho da mina até às escolas, aos centros de saúde e às estradas que as comunidades lunda-sulenses continuam a precisar.