Internacional

Kevin Warsh toma posse na Fed e já tem Trump a pedir cortes de juros

Kevin Warsh assumiu esta sexta-feira a presidência da Reserva Federal dos Estados Unidos, numa cerimónia na Casa Branca com a presença de DonaldTrump. O regresso de Warsh à instituição onde foi, aos 35 anos, o governador mais jovem da história acontece duas décadas depois — e num momento em que a Fed enfrenta pressões políticas, inflação persistente e um conflito no Médio Oriente que está a encarecer a energia e bens essenciais em todo o mundo.

A nomeação foi confirmada pelo Senado na semana passada, numa votação maioritariamente partidária de 54 a 45, sucedendo a Jerome Powell, cujo mandato de oito anos terminou a 15 de Maio. Powell permanece na Fed como membro do Conselho de Governadores, cargo que poderá exercer até Janeiro de 2028.

Warsh tem 56 anos e um percurso que combina finanças, política e regulação. Foi membro do Conselho de Governadores da Fed entre 2006 e 2011 — um período que incluiu a crise financeira global de 2008, uma das mais severas da história económica recente. A sua passagem pela instituição foi marcada pela proximidade ao então presidente Ben Bernanke e por uma visão que, com o tempo, se revelou mais cética em relação ao estímulo monetário prolongado.

Antes da Fed, foi assessor económico na Casa Branca e trabalhou em fusões e aquisições no Morgan Stanley. É investigador do HooverInstitution, em Stanford, e é considerado um dos nomes mais influentes do pensamento económico conservador nos Estados Unidos. Trump tentou nomeá-lo para a Fed logo em 2017, no seu primeiro mandato, mas a escolha recaiu então sobre Powell.

A primeira reunião e a pressão de Trump

Warsh presidirá à sua primeira reunião do Comité Federal de Mercado Aberto nos dias 16 e 17 de Junho — e já entra num clima de tensão entre a Casa Branca e o banco central. Trump tem exigido cortes de juros para impulsionar o crescimento económico, uma linha que manteve ao longo de anos de críticas a Powell por não reduzir as taxas com a rapidez que o presidente desejava.

Mas Warsh enfrentará um conselho pouco inclinado a ceder a essa pressão. As atas da última reunião revelam que a maioria dos membros reconhece que a inflação permanece elevada — e que o encerramento do estreito de Ormuz, no contexto do conflito com o Irão, está a agravar os preços da energia e de outros bens e serviços, complicando qualquer argumento a favor de um afrouxamento monetário imediato.

O paradoxo da escolha de Trump

A ironia da situação não passa despercebida. Trump escolheu Warsh precisamente porque o considerava mais alinhado com a sua visão de taxas de juro mais baixas. Mas Warsh tem um historial de ceticismo face ao estímulo monetário excessivo — e vai presidir a uma instituição cujos membros, neste momento, não veem condições para cortar juros.

A independência da Fed é um princípio constitutivo da sua autoridade. A primeira reunião de Warsh dirá muito sobre como o novo presidente pretende gerir a equação entre a pressão política e a credibilidade institucional que herdou — e que será, desde o primeiro dia, o seu bem mais precioso.

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