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“It’s All Kizomba”, a ponte entre a cultura angolana e cabo-verdiana

O projecto discográfico “It’s All Kizomba Vol. I”, da produtora Quebra Galho Produções, dirigida por Caló Pascoal, está a afirmar-se como um ponto de encontro entre gerações e geografias da música lusófona, ao reunir artistas consagrados e novos talentos num alinhamento de oito faixas dedicadas à kizomba.

Entre os temas do álbum destacam-se colaborações com nomes como Harry Diboula, Ricardo Lemvo e Zanaide Mac, bem como a participação de vozes emergentes, como Jamilsia Pinheiro, cuja interpretação do tema “Tunuka” tem vindo a ganhar projecção internacional.

A canção “Tunuka”, incluída no projeto, é uma recriação em kizomba de um clássico da música cabo-verdiana, originalmente composto por Orlando Pantera e interpretado por Ildo Lobo no emblemático álbum “Porton D’Nós Ilha”, dos Tubarões, lançado em 1994.

Na versão original, o tema inscreve-se no universo do funaná e aborda a experiência da migração cabo-verdiana, evocando a partida para destinos como São Tomé e Príncipe, a saudade e as dificuldades enfrentadas pelos emigrantes.

A nova leitura, interpretada por Jamilsia Pinheiro, transporta a canção para o universo da kizomba, conferindo-lhe uma cadência mais dançável e ampliando o seu alcance junto de públicos internacionais.

A adaptação tem vindo a ganhar espaço em pistas de dança e eventos culturais em países como Angola, Portugal, Brasil, França e Espanha, reflectindo a expansão global da kizomba e a sua capacidade de dialogar com outros géneros musicais.

Mais do que uma simples versão, “Tunuka” surge como exemplo de como a kizomba angolana pode contribuir para a revitalização de estilos tradicionais, como o funaná, aproximando diferentes expressões musicais do espaço lusófono.

A revisitação do tema reforça também o legado de Orlando Pantera, considerado uma das figuras mais influentes da música cabo-verdiana contemporânea. O artista destacou-se nos anos 1990 pela modernização do batuco e do funaná, antes de falecer prematuramente em 2001, aos 33 anos. A sua obra continua a influenciar novas gerações de músicos, tendo dado origem à chamada “Geração Pantera”, com nomes como Mayra Andrade, Lura e Voginha.

Para Caló Pascoal, o projecto reforça uma trajectória marcada por colaborações internacionais e sucessos no panorama musical angolano. O produtor já havia reunido, em trabalhos anteriores, artistas como Anselmo Ralph, Paulo Flores e Matias Damásio, consolidando-se como uma das figuras de referência da produção musical nos PALOP.

Com “It’s All Kizomba Vol. I”, a Quebra Galho Produções propõe uma leitura contemporânea da música africana de expressão portuguesa, evidenciando a circulação de influências e a interligação cultural entre países como Angola e Cabo Verde.

A nova versão de “Tunuka” surge, assim, como um exemplo claro dessa dinâmica: um clássico do funaná reinterpretado pela kizomba, num diálogo que reforça a vitalidade e a reinvenção constante da música nos PALOP.

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