Mercados Financeiros

Inclusão do yuan nas reservas obrigatórias angolanas significa “maturidade” das relações com a China

O presidente da Câmara de Comércio Angola-China, Luís Cupenala, considerou a introdução do yuan, moeda chinesa, na economia angolana “um passo bastante significativo” de maturidade das relações entre os dois países.

Cupenala reagia à recente autorização do Banco Nacional de Angola (BNA) aos bancos comerciais para a inclusão do Renminbi (yuan) nas suas reservas obrigatórias em moeda estrangeira — uma medida em vigor desde 6 de Julho, ao abrigo da Directiva n.º 05/2026 do Departamento de Mercados do banco central, e que eleva para quatro o número de moedas admitidas para este efeito: dólar norte-americano, euro, rand sul-africano e, agora, yuan.

O responsável destacou que esta medida acontece nos 43 anos de relações bilaterais, dos quais 16 anos de parceria estratégica, com uma cooperação marcada por intensas trocas comerciais entre os dois países. Segundo Cupenala, com a implementação da taxa zero pela China, os produtores angolanos são obrigados a expandir a sua visão além do mercado de consumidores nacionais de 36 milhões de habitantes, olhando para o país asiático, com 1,4 mil milhões de consumidores. “Isso precisa da circulação de recursos. Esta abertura que se dá agora da presença da moeda Renminbi vai facilitar, com certeza, as nossas zungueiras [pequenas comerciantes], homens de negócios, para aumentarem os seus negócios com a China, fundamentalmente no quadro das exportações e importações”, referiu.

Por outro lado, a medida vai igualmente eliminar as barreiras da dependência de uma única moeda, tendo a partir de agora como moedas estrangeiras de transacção o dólar norte-americano, o euro, o yuan e o rand. “Todas essas medidas visam mitigar dificuldades e certamente facilitar que os negócios e as trocas comerciais entre os dois países fluam com facilidade e sem problemas”, sublinhou.

O líder da Câmara de Comércio Angola-China destacou que o Governo chinês tem acordos bilaterais comerciais com os 53 países africanos, sendo Angola o parceiro económico mais importante do país asiático. “Este passo que se tomou hoje tardou, mas, seja como for, é o início de uma nova era na melhoria, no aprofundamento, das relações entre os dois países, no aumento das exportações, das trocas comerciais, da transferência do ‘know-how’ e da tecnologia e de investimentos em Angola”, realçou.

Cupenala destacou que, até se chegar a esta medida, o processo de cooperação entre os dois países passou por vários estágios de maturidade e de consolidação, tendo, em 2024, Angola e a China assinado o acordo de cooperação e parceria estratégica abrangente, “sem limitações nos vários domínios do comércio e de investimentos”. “Também é preciso recordar que, em 2023, um dos mais importantes instrumentos de promoção e protecção recíproca de investimentos foi assinado para estimular o investimento de empresas chinesas no nosso país e os angolanos a investirem na República Popular da China”, disse. Na sequência, acrescentou, foram assinados outros instrumentos para evitar a dupla tributação, a fuga ao fisco e a evasão fiscal, concorrendo para a melhoria das relações, agora reforçada com a inclusão da moeda chinesa na economia angolana.

Além da classe empresarial, a inclusão do yuan nas reservas obrigatórias vai beneficiar pessoas individuais, como estudantes e mulheres de negócios. “A liberalização desta nova etapa nas trocas comerciais abre um novo capítulo para facilitar também pessoas individuais além das empresas, com certeza”, referiu.

Em 2025, as trocas comerciais entre Angola e a China superaram os 20 mil milhões de dólares (17,5 mil milhões de euros), representando, segundo Cupenala, uma desaceleração face a choques externos do mercado global, embora se mostrasse convencido de que 2026 será “muito melhor” do que o ano passado.

As reservas obrigatórias correspondem aos montantes que os bancos são obrigados a manter depositados no banco central, constituindo um dos instrumentos utilizados pelo BNA para gerir a liquidez do sistema financeiro e apoiar a execução da política monetária.

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