Em torno do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto (AIAAN), a 40 quilómetros da capital, está a ganhar forma um dos projectos mais ambiciosos de desenvolvimento urbano e económico do país: a Cidade Aeroportuária de Icolo e Bengo — oficialmente designada ICB-Aerotrópolis, à semelhança do que aconteceu no Dubai ou em Singapura.
Com plano urbanístico já aprovado pelo Conselho de Ministros, sob orientação do Presidente João Lourenço, em 2025, o projecto quer reposicionar Angola no mapa global através de um modelo integrado que liga aviação, negócios, turismo e logística.
A futura cidade está projectada para uma área habitacional de 16 milhões de metros quadrados, com capacidade para albergar cerca de 260 mil famílias, e prevê a criação de mais de 180 mil postos de trabalho em espaços modernos e sustentáveis. Os acessos serão assegurados por transportes ferroviários, eléctricos e rodoviários.
O conceito de aerotrópole
Em entrevista, José Paulo Nóbrega, Presidente do Conselho de Administração da ICB-URBE, explicou que o projecto assenta no conceito de aerotrópole — um modelo urbano em que o aeroporto funciona como âncora de um ecossistema económico alargado, inspirado em referências internacionais como Dubai ou Singapura.
De acordo com o Governo, a cidade está pensada como “um activo capaz de atrair o melhor do investimento nacional e estrangeiro e uma âncora na conexão de África aos mercados globais”, oferecendo simultaneamente uma oportunidade única para a nova província de Icolo e Bengo.
A empresa gestora e o quadro jurídico
A ICB-URBE, empresa pública criada para gerir as áreas da reserva do Estado afectas ao aeroporto, tem um capital social fixado em mil milhões de Kwanzas, com uma estrutura accionista que distribui 45% pela Sociedade Gestora de Aeroportos (SGA), 40% pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) e 15% pela Empresa Nacional de Navegação Aérea (ENNA).
A empresa assegura o controlo da concessão, da tipologia de construção e da finalidade dos projectos na reserva fundiária. Em Fevereiro deste ano, a ICB-URBE reforçou esse controlo ao proibir formalmente a compra, venda e ocupação de terrenos, bem como qualquer construção ou circulação não autorizada na reserva fundiária, sujeitando as infracções a demolições e sanções. Este enquadramento visa garantir previsibilidade e segurança jurídica — factores considerados essenciais para atrair investimento e reduzir riscos.
Turismo de alto padrão: golfe, safari e surf
O turismo surge como um dos principais motores do projecto. A Cidade Aeroportuária prevê a integração de infraestruturas de alto padrão, incluindo um campo de golfe desenhado pelo campeão sul-africano Ernie Els, resorts de luxo, spa, centro de convenções, casinos e zonas de comércio duty-free.
A proposta é reforçada por activos naturais de elevado potencial: o Parque Nacional da Quiçama, com cerca de 9.600 km² e localizado a apenas 20 quilómetros do aeroporto, e Cabo Ledo, reconhecido internacionalmente pelas suas condições para a prática de surf. Esta combinação — golfe, safari e surf — pretende criar uma oferta diferenciadora, posicionando Angola como destino competitivo no turismo internacional.
Captação de investimento e próximos passos
A estratégia de captação de investidores passa por roadshows internacionais e contacto directo com fundos soberanos, fundos de infraestrutura, private equity e operadores especializados, com propostas ajustadas ao perfil de cada investidor. O projecto integra ainda um Pólo de Serviços Aeroportuários e um Pólo Logístico, cujas obras já estão em curso.
O projecto visa ainda atrair iniciativas no campo da investigação e da educação, criando empregos para os actuais e futuros moradores da província, numa trajectória de crescimento económico de longo prazo.