Um Fundo Soberano é um fundo de investimento que pertence ao Estado. É constituído com dinheiro público e tem como objectivo investir esse património para o fazer crescer ou preservá-lo ao longo do tempo.
Os recursos podem vir, por exemplo, de:
- Receitas do petróleo, gás ou outros recursos naturais;
- Excedentes orçamentais;
- Receitas de privatizações;
- Reservas ou outros activos do Estado.
O fundo pode investir em acções, obrigações, empresas, imóveis, infraestruturas e outros activos, tanto no país como no estrangeiro.
Quais os grandes benefícios da criação de um Fundo Soberano:
Os principais benefícios de um Fundo Soberano são sobretudo de natureza financeira e económica.
- Poupar para as futuras gerações
Permite transformar receitas provenientes de recursos não renováveis, como o petróleo, em património financeiro que pode beneficiar o país no futuro.
- Diversificar a economia
O Estado pode investir parte dos recursos petrolíferos em outros sectores e activos, reduzindo a dependência do petróleo.
- Gerar rendimentos
O dinheiro aplicado pelo fundo pode produzir dividendos, juros e ganhos de capital, aumentando o património do Estado.
- Proteger o país contra crises
Em períodos de queda das receitas petrolíferas ou de dificuldades económicas, um fundo bem gerido pode funcionar como uma reserva financeira.
- Reduzir a volatilidade das receitas públicas
Os preços do petróleo variam muito. Um fundo soberano pode ajudar a suavizar o impacto dessas oscilações sobre o Orçamento do Estado.
- Financiar investimentos estratégicos
Dependendo das regras do fundo, os recursos podem ser utilizados para investimentos de longo prazo em infraestruturas, empresas ou sectores considerados estratégicos.
- Aumentar a riqueza nacional
Em vez de consumir imediatamente todas as receitas extraordinárias, o Estado transforma parte delas em activos que podem continuar a gerar rendimento.
- Atrair investimento estrangeiro
Um fundo soberano credível, transparente e profissionalmente gerido pode tornar-se um importante parceiro de investidores internacionais.
Em resumo: o grande benefício é transformar riqueza temporária, como as receitas do petróleo, em património financeiro de longo prazo.
No entanto, há uma condição fundamental: boa governação, transparência e gestão profissional. Sem isso, um fundo soberano pode deixar de cumprir a sua função e tornar-se uma fonte de desperdício ou de utilização pouco eficiente dos recursos públicos
O case study da Noruega
Um dos exemplos mais bem sucedidos é o Fundo Soberano da Noruega, constituído com receitas do petróleo para beneficiar também as futuras gerações.
Quando descobriu grandes reservas de petróleo no Mar do Norte, a Noruega decidiu não gastar imediatamente toda a riqueza petrolífera. O petróleo começou a ser produzido em 1971 e, em 1990, o Parlamento norueguês aprovou a criação do fundo que viria a ser o Government Pension Fund Global, conhecido como Oil Fund. O primeiro depósito ocorreu em 1996.
A lógica foi simples:
Petróleo → Receitas do Estado → Fundo Soberano → Investimentos → Rendimentos para o Estado.
Em vez de transformar toda a receita petrolífera em despesa pública, a Noruega transformou uma parte significativa dela em activos financeiros espalhados pelo mundo.
E o resultado?
O fundo tornou-se gigantesco. No final de 2025, tinha cerca de 21,3 mil milhões de coroas norueguesas (cerca de 2,27 mil milhões de USD). Em 2025, obteve uma rendibilidade de 15,1%.
O fundo investe sobretudo no estrangeiro. No final de 2025, a carteira era composta aproximadamente por:
· 71,3% em acções
· 26,5% em obrigações
· 1,7% em imobiliário não cotado
· 0,4% em infraestruturas de energias renováveis.
A Noruega estabeleceu uma regra fundamental: não gastar livremente o capital do fundo.
O Estado utiliza uma parte dos rendimentos do fundo para financiar o Orçamento, procurando preservar o seu valor real para o futuro. Em 2026, por exemplo, a utilização prevista das receitas do fundo corresponde a cerca de 2,7% do seu valor, abaixo da referência de 3% utilizada na política orçamental norueguesa.
Assim, o petróleo que está debaixo do mar vai sendo transformado em património financeiro que pertence, indirectamente, a toda a sociedade norueguesa.
Porque é que o modelo norueguês é tão importante?
Há aqui uma diferença fundamental em relação a simplesmente receber petróleo e gastá-lo:
Um barril de petróleo só pode ser vendido uma vez. Mas o dinheiro obtido com esse barril, se for investido, pode gerar rendimentos durante décadas. É precisamente essa transformação que tornou o modelo norueguês tão interessante.
Há ainda outro factor decisivo: transparência e regras de gestão. O fundo é gerido profissionalmente pelo Norges Bank Investment Management, sob mandato do Ministério das Finanças e dentro de regras definidas pelo Parlamento.
Os 10 maiores Fundos Soberano do Mundo
| Fundo Soberano | País | Activos aproximados |
| Gov. Pension Fund Global | Noruega | US$ 2,06 biliões |
| SAFE Investment Company | China | US$ 2,05 biliões |
| China Investment Corporation | China | US$ 1,57 biliões |
| Public Investment Fund | Arábia Saudita | US$ 1,21 biliões |
| Abu Dhabi Investment Authority | EAU | US$ 1,19 biliões |
| GIG | Singapura | US$ 1,16 biliões |
| Kuwait Investment Authority | Kuwait | US$ 1,00 biliões |
| Qatar Investment Authority | Qatar | US$ 580 mil milhões |
| Investement Corporation of Dubai | EAU | US$ 429 mil milhões |
| Turkey Wealth Fund | Turquia | US$ 360 mil milhões |
Os 10 maiores Fundos Soberanos de África
| Fundo Soberano | País | Activos aproximados |
| Libya Investment Authority | Líbia | US$ 38,8 mil milhões |
| Ethiopian Investment Holdings | Etiópia | US$ 38,5 mil milhões |
| Revenue Regulation Fund | Argélia | US$ 16 mil milhões |
| Sovereign Investment Authority | Egipto | US$ 12 mil milhões |
| Fundo Soberano de Angola | Angola | US$ 4,1 – 5 mil milhões |
| Pula Fund | Botswana | US$ 4,3 mil milhões |
| NSIA | Nigéria | US$ 3,1 mil milhões |
| Mauritius Investment Corporation | Maurícias | US$ 2 mil milhões |
| FGIS | Gabão | US$ 1,8 mil milhões |
| GIIF | Gana | US$ 1 – 2 mil milhões |
O African Development Bank estima que os fundos soberanos africanos detinham conjuntamente cerca de US$ 111 mil milhões em 2025.
Angola
O Fundo Soberano de Angola (FSDEA), criado para gerir e investir parte dos recursos financeiros do Estado, procurando gerar rendimentos e contribuir para a sustentabilidade financeira de longo prazo, ocupa o quinto lugar no ranking africano.
Um documento do próprio FSDEA, baseado no Global SWF, colocava-o em US$ 3,9 mil milhões e na 80.ª posição mundial no ranking de 2024. Mais recentemente, uma lista de 2026 apontava para cerca de US$ 4,1 mil milhões, colocando Angola à frente da Nigéria em activos sob gestão.
Foto: 1° Ceo da Libya Investment Authority- Ali Mahmoud Hassan Mohamed
2° Ceo da Ethiopian Investment Holdings- Brook Taye
3° Ceo da Sovereign Investment Authority- Noha Khalil
4° PCA do Fundo Soberano de Angola- Armando Manuel
5° Ceo da NSIA- Aminu Umar-Sadiq
6° Ceo da Mauritius Investment Corporation- Jitendra Bissessur
7° Ceo da FGIS- Serge Brice Ngodjou
8° Ceo da GIIF- Nana Dwemoh Benneh