Economia

Custo de vida em Angola abranda, mas preços continuam a pressionar famílias

A inflação em Angola manteve uma trajectória descendente nos últimos três meses, mas a desaceleração não significa uma redução dos preços. Alimentação e transportes continuam entre os principais factores de pressão sobre o orçamento das famílias.

O custo de vida em Angola continua a aumentar, embora a um ritmo progressivamente mais moderado. Entre Maio e Julho de 2026, a inflação homóloga recuou de 10,88% para cerca de 9,9%, consolidando a tendência de desaceleração observada desde o início do ano.

Em Maio, a inflação homóloga situou-se em 10,88%, enquanto em Junho caiu para 10,11%. Os dados mais recentes apontam para uma nova redução em Julho, colocando a inflação abaixo da fasquia dos 10%.

A evolução representa uma melhoria face ao final de 2025, quando a inflação anual terminou nos 15,70%. No entanto, a descida da taxa de inflação não significa que os produtos estejam a ficar mais baratos. Significa que os preços continuam a subir, mas a um ritmo inferior ao registado anteriormente.

Alimentação continua a pesar no orçamento

A alimentação e as bebidas não alcoólicas permanecem entre os principais factores de pressão sobre o rendimento das famílias angolanas. Em Junho, esta classe registou uma variação homóloga de 10,73% e foi responsável pela maior contribuição para a inflação geral.

O peso dos alimentos no orçamento das famílias faz com que a evolução desta categoria tenha um impacto particularmente significativo na percepção do custo de vida. Mesmo quando a inflação global abranda, aumentos nos preços dos bens essenciais podem continuar a limitar o poder de compra.

Os transportes também permanecem entre as áreas com maiores aumentos de preços. Em Junho, a classe registou uma inflação homóloga de 15,40%, acima da média nacional.

Desaceleração ainda não significa recuperação do poder de compra

A redução da inflação constitui um sinal positivo para a economia, mas os efeitos sobre o poder de compra das famílias dependem da evolução dos salários e dos rendimentos.

Uma inflação de 9,9% significa que, em termos médios, os preços estão cerca de 9,9% acima dos níveis registados no mesmo mês do ano anterior. Para que os consumidores recuperem efectivamente poder de compra, os rendimentos precisam de crescer acima da inflação.

A trajectória dos preços é, por isso, acompanhada de perto pelas autoridades monetárias. O Banco Nacional de Angola reviu em Julho em baixa a sua previsão para a inflação no final de 2026, apontando para 8,6%.

Perspectivas

A continuação da tendência de desinflação poderá aliviar gradualmente a pressão sobre as famílias e empresas, sobretudo se for acompanhada por maior estabilidade cambial, melhoria da oferta interna de bens e contenção dos custos de transporte e distribuição.

Apesar disso, o nível de preços acumulado nos últimos anos continua a representar um desafio para os consumidores. A actual desaceleração da inflação significa que o custo de vida está a crescer mais lentamente, e não que tenha diminuído.

Para as famílias angolanas, a evolução dos preços dos alimentos, dos transportes e de outros bens essenciais continuará, assim, a ser determinante para avaliar se a melhoria dos indicadores macroeconómicos se traduz efectivamente numa recuperação do poder de compra.

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