Um conjunto de famílias multimilionárias das Américas, Europa e Médio Oriente surge agora identificado como detentor de participações bilionárias na SpaceX, a empresa de foguetes, satélites e inteligência artificial fundada por Elon Musk, segundo documentos regulatórios consultados pela Bloomberg.
Os dados, tornados públicos através dos formulários 13F apresentados junto do regulador norte-americano, oferecem uma rara janela sobre a forma como algumas das fortunas privadas mais influentes do mundo têm apostado na empresa desde a sua entrada em bolsa, em Junho.
Entre os nomes mais destacados está o family office de Nick Pritzker, herdeiro da cadeia hoteleira Hyatt, que detinha, no final de Junho, um investimento avaliado em 1,8 mil milhões de dólares na companhia sediada no Texas — uma aposta feita poucas semanas depois da oferta pública inicial da SpaceX. A firma de Pritzker, a Tao Capital, investe também na Tesla, a outra empresa cotada em bolsa do império de Musk.
A lista de investidores privados inclui ainda a BlueCrest Capital, gerida pelo britânico Michael Platt, e a família financeira brasileira Moreira Salles, ligada ao banco Itaú, ambas com participações superiores a 100 milhões de dólares. Já uma sociedade de investimentos associada ao xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan, governante de Abu Dhabi, revelou uma posição próxima dos 65 milhões de dólares na fabricante de foguetes, ilustrando o interesse de capitais do Médio Oriente pela empresa.
A australiana Gina Rinehart, considerada a pessoa mais rica do país, surge igualmente entre os grandes investidores: através da Hancock Prospecting, a sua empresa de recursos naturais, detinha um investimento avaliado em cerca de 1,4 mil milhões de dólares — a maior posição individual da carteira de ações cotadas nos Estados Unidos geridas pela firma. Rinehart já tinha, em Junho, admitido publicamente ter feito “um investimento significativo” na empresa de Musk, sem na altura precisar o valor.
Outras fortunas familiares com posições reveladas incluem o herdeiro do grupo de comunicação social Thomson, David Thomson, com uma participação próxima de um milhão de dólares, e o magnata do comércio duty-free Alan Parker, cujo family office declarou uma posição mais reduzida na SpaceX, além de outra na Tesla avaliada em cerca de 475 mil dólares.
No total, mais de uma dúzia de family offices — estruturas discretas que gerem o património de indivíduos e famílias ultra ricas — detinham, em conjunto, pelo menos 3,8 mil milhões de dólares em acções da SpaceX no primeiro semestre de 2026. Estes gestores de fortunas privadas têm-se multiplicado nas últimas duas décadas, acompanhando o crescimento acelerado de patrimónios ligados aos sectores da tecnologia, das finanças e da saúde, e são frequentemente cortejados por empresas em busca de financiamento devido à sua maior agilidade e disponibilidade para investimentos de mais longo prazo.
A entrada em bolsa da SpaceX, a 12 de Junho, foi a maior operação do género na história dos mercados financeiros, superando em mais do dobro a oferta pública inicial da petrolífera saudita Aramco, realizada há cerca de uma década, e tornou Elon Musk o primeiro trilionário do mundo. A procura pela oferta, avaliada em 75 mil milhões de dólares, superou em mais de quatro vezes a quantidade de acções disponíveis, ainda que os títulos tenham perdido mais de mil milhões de dólares em valor de mercado desde então, até início de Agosto.