Mercados Financeiros

ETU bloqueia segunda transacção em três meses e aproxima-se do controlo de 83,9% do bloco 14

A ETU Energias voltou a exercer o direito de preferência e bloqueou mais uma transacção acordada entre operadores internacionais nos blocos 14 e 14K, em águas profundas da bacia do Kwanza.

Com esta movimentação, a petrolífera angolana aproxima-se do controlo de 83,9% do bloco 14 e de cerca de 30% do bloco 14K, afastando sucessivamente investidores estrangeiros num momento em que o sector petrolífero angolano enfrenta declínio de produção e necessidade urgente de novos investimentos.

A operação bloqueada envolve a participação operacional de 31% no bloco 14 e 15,5% no bloco 14K que a Chevron tinha acordado vender à petrolífera grega Energean por cerca de 250 milhões de dólares — negócio que já tinha recebido aprovação da autoridade da concorrência. É a segunda grande intervenção da ETU em menos de três meses: em Março, a empresa tinha bloqueado o acordo de 310 milhões de dólares entre a Azule Energy, a BW Energy e a Maurel & Prom.

Fontes do sector indicam que a estratégia da ETU, liderada por Edson dos Santos, visa aumentar a sua quota nos blocos mais relevantes da bacia do Kwanza. A movimentação gera, porém, preocupação quanto à capacidade técnica e financeira da empresa para operar em águas profundas.

Direito de preferência aplicado pela segunda vez

No bloqueio de Março, a Azule Energy foi obrigada a desfazer o acordo com o consórcio internacional e a transferir as participações — 20% no bloco 14 e 10% no 14K — para a ETU. Agora é a Chevron, como operadora, que terá de vender as suas participações à petrolífera angolana, que já detinha posições significativas adquiridas anteriormente à Galp (32,9% no bloco 14 e 4,5% no 14K, em 2024) e à Azule.

Especialistas do sector questionam a capacidade da ETU para assumir tamanha responsabilidade operacional. A empresa tem um historial mais sólido em águas rasas e acumula ainda pouca experiência comprovada em projectos de águas profundas, onde os desafios técnicos e os custos são substancialmente mais elevados.

“Isto exige especialização técnica em águas profundas e capacidade de captação de recursos — competências cruciais para lidar com o declínio da produção e desbloquear o potencial inexplorado dos blocos”, alertou um especialista que pediu anonimato.

O presidente do Conselho de Administração da ETU Energias, Edson dos Santos, negou estar a bloquear investidores e justificou a acção como exercício legítimo de um direito contratual. “Não existe bloqueio de ninguém. Existe vontade da ETU de exercer um direito que lhe cabe num bloco onde investiu bastante nos últimos quatro anos”, afirmou.

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