Dez equipas, cada uma constituída por dois pilotos, vão participar no E1 Luanda GP 2026, etapa do campeonato mundial de barcos eléctricos que decorrerá nos dias 12 e 13 de Setembro, na Baía de Luanda, anunciou esta quarta-feira, em Luanda, a directora do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério do Turismo, Djanira Barbosa. A corrida terá lugar junto à Marina Baía, no Yacht Club de Luanda, e insere-se no calendário do UIM E1 World Championship, o primeiro campeonato internacional dedicado inteiramente a barcos de competição movidos a energia eléctrica.
A etapa angolana foi anunciada oficialmente em Março deste ano, numa cerimónia em Luanda que contou com a presença do fundador e presidente da E1, Alejandro Agag, do ministro do Turismo, Márcio de Jesus Lopes Daniel, e do actor e produtor norte-americano Will Smith, proprietário de uma das dez equipas do campeonato, a Visit Angola Westbrook Racing. Angola torna-se, assim, a segunda etapa do campeonato em solo africano, depois de Lagos, na Nigéria, e a primeira etapa realizada na África Austral, juntando-se a um calendário que inclui outras cidades emblemáticas como Jeddah, na Arábia Saudita, Lago Como, em Itália, Dubrovnik, na Croácia, e o próprio Mónaco.
Segundo o ministro Márcio Daniel, a presença de Angola no calendário do E1 resulta de um contrato de três anos com a organização do campeonato, e o evento não representa qualquer custo para os cofres do Estado angolano, sendo integralmente financiado por patrocinadores. Alejandro Agag justificou a escolha de Angola sublinhando o “enorme” potencial turístico do país, e descreveu a água como “uma grande oportunidade para a economia azul” angolana, acrescentando que a Baía de Luanda oferece um cenário privilegiado tanto para a competição como para o público que queira simplesmente assistir aos barcos em corrida.
Barcos de alta velocidade, movidos a electricidade
Os RaceBirds, as embarcações que competem no campeonato E1, são barcos eléctricos de alta performance com 7,5 metros de comprimento, equipados com tecnologia de hidrofólio (hydrofoil) que lhes permite elevar-se acima da água e atingir velocidades próximas dos 50 nós — cerca de 93 quilómetros por hora. O campeonato, organizado sob a alçada da União Internacional Motonáutica (UIM), assume-se como uma plataforma para acelerar a inovação sustentável no sector marítimo, associando o espectáculo desportivo à promoção de tecnologia marinha eléctrica de ponta.
A competição conta com dez equipas detidas por celebridades de renome internacional, entre as quais o DJ Steve Aoki, a lenda do futebol africano Didier Drogba, o antigo jogador de futebol americano Tom Brady e o campeão da NBA LeBron James — além do já mencionado Will Smith. As corridas serão transmitidas para audiências em mais de 230 territórios, através de estações como a DAZN e a SuperSport, além do canal de YouTube do próprio E1.
Um evento pensado como montra turística
Meses antes do anúncio oficial, Luanda já tinha sido alvo de uma visita técnica da comissão organizadora do campeonato, em Dezembro do ano passado, para avaliar as condições logísticas e técnicas necessárias à realização do evento junto à Administração do Porto de Luanda — encontro que ajudou a confirmar a viabilidade de disputar a corrida directamente na Baía de Luanda.
Para o Governo angolano, o E1 Luanda GP surge como mais uma peça na estratégia de projecção internacional do país através de eventos desportivos e de grande visibilidade mediática, alinhando-se com a campanha turística “Visit Angola — Rhythm of Life”, que Will Smith ajudou a promover durante a sua visita a Luanda. Alejandro Agag reforçou que a escolha de Angola reflecte também uma aposta estratégica mais ampla do E1 em consolidar presença no continente africano, descrevendo o país como estando “na vanguarda”, com apoio que classificou como transversal ao Presidente da República, ao Ministério do Turismo, ao Ministério dos Transportes e a outras entidades governamentais, incluindo iniciativas de tecnologias mais limpas promovidas no sul do país.