A escalada da crise energética global, agravada pelo fecho do Estreito de Ormuz, já está a ter efeitos directos na aviação em África, com Angola a avançar com medidas de emergência para evitar disrupções no tráfego aéreo.
O Banco Nacional de Angola (BNA) revelou que os bancos comerciais venderam 105 milhões de dólares em divisas às companhias aéreas nos primeiros cinco meses do ano, numa operação extraordinária destinada a garantir a continuidade dos voos internacionais num contexto de forte pressão sobre os custos energéticos e de acesso a moeda estrangeira.
O pico destas operações ocorreu em Abril, que concentrou 89,6% do total, com vendas na ordem dos 94,4 milhões de dólares — um sinal claro da intensidade das dificuldades enfrentadas pelo sector num momento crítico para o abastecimento global de combustível.
Segundo o regulador, esta injecção de liquidez em moeda estrangeira teve como objectivo “assegurar a regularidade das operações das companhias aéreas”, protegendo a conectividade internacional do país e evitando perturbações mais profundas no transporte aéreo.
A dependência do sector da aviação de combustível importado — cujo preço e disponibilidade foram afectados pela instabilidade no Golfo — tem vindo a expor fragilidades estruturais, nomeadamente no acesso a divisas. O fecho do Estreito de Ormuz, uma das principais artérias do comércio mundial de petróleo, agravou ainda mais este cenário, pressionando cadeias logísticas e elevando custos operacionais.
Além destas intervenções pontuais, o BNA sublinha que as companhias aéreas continuam a aceder a moeda estrangeira através dos bancos comerciais, num modelo complementar que combina operações correntes com medidas excepcionais.
Num contexto em que várias transportadoras internacionais têm enfrentado constrangimentos operacionais e financeiros, o caso angolano ilustra como a crise energética global está a obrigar autoridades monetárias a intervir directamente para manter sectores críticos em funcionamento — com a aviação na linha da frente.