A Lobito Atlantic Railway (LAR) movimentou 27 mil toneladas de carga internacional em Julho, naquele que foi o melhor mês da história da concessionária responsável pela exploração do transporte ferroviário no Corredor do Lobito.
A empresa, detida pela Trafigura, Mota-Engil e Vecturis, prevê movimentar cerca de 400 mil toneladas de carga até ao final deste ano. Aproximadamente metade desse volume deverá corresponder ao transporte de cobre e cobalto provenientes da República Democrática do Congo (RDC) com destino ao Lobito, enquanto a outra metade será constituída por mercadorias transportadas no sentido inverso.
Os números foram divulgados numa actualização recente da actividade da LAR, apresentada na última edição do ‘Angola Oil & Gas’, realizada em Luanda.
Investimento na ferrovia
Segundo a concessionária, o crescimento registado está associado ao programa de investimentos em curso, que inclui a reabilitação da linha ferroviária e das infra-estruturas, bem como a aquisição de equipamentos e outros bens de capital.
A empresa afirma estar igualmente a acompanhar novas oportunidades de negócio nos sectores da mineração, agricultura, comércio e energia. Neste último domínio, considera que a ferrovia poderá assumir um papel crescente no transporte de combustíveis, gás e outros produtos estratégicos, complementando as actuais infra-estruturas logísticas e contribuindo para uma distribuição mais regular de mercadorias nas diferentes regiões de Angola.
O presidente executivo da Lobito Atlantic Railway, Nicholas Fournier, afirma que a empresa está a adquirir novos vagões e contentores, ao mesmo tempo que prossegue com a reabilitação da linha e o reforço da coordenação das operações entre Angola e a República Democrática do Congo.
Meta de duplicar a carga em 2027
A LAR estabeleceu como objectivo duplicar, no próximo ano, o volume de carga transportada.
“Das cerca de 400 mil toneladas de carga previstas para 2026, aproximadamente metade corresponde a cobre e cobalto transportados da República Democrática do Congo para o Lobito, e um volume semelhante a mercadorias movimentadas em sentido inverso”, explicou a empresa.
A concessionária prevê, assim, alcançar em 2027 um volume de transporte correspondente ao dobro do estimado para este ano.
A estratégia da empresa assenta na diversificação da base de clientes, no aumento progressivo dos fluxos de carga nacional e internacional e no reforço da utilização da ferrovia como alternativa logística para diferentes sectores da economia.
Mais emprego e formação
A operação do Corredor do Lobito envolve actualmente 945 trabalhadores, dos quais 97% são cidadãos angolanos.
A empresa mantém programas de formação nas áreas da operação ferroviária, manutenção e segurança, com o objectivo de reforçar as competências técnicas das comunidades situadas ao longo do corredor.
Entretanto, o Grupo Banco Mundial anunciou este mês que a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA) emitiu garantias no valor de 62,6 milhões de dólares, equivalentes a cerca de 53,7 milhões de euros, no âmbito dos investimentos da Mota-Engil no Corredor do Lobito.
Para Nicholas Fournier, a prioridade passa por consolidar a LAR como parceiro logístico para empresas angolanas e regionais, através do aumento da capacidade operacional e da melhoria dos serviços.
“Queremos que cada vez mais empresas vejam a LAR como um parceiro logístico de confiança. Estamos a investir no crescimento da operação, na melhoria contínua do serviço e na criação de soluções que respondam às necessidades reais da economia angolana e regional”, afirmou o responsável.