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Consórcio liderado pela ExxonMobil investe três mil milhões de dólares em Angola até 2030

Mais de três mil milhões de dólares. É este o valor que o consórcio liderado pela ExxonMobil se comprometeu a investir em infraestruturas de exploração e comercialização de petróleo em Angola, com horizonte até 2030, no âmbito do reforço das instalações do Bloco 15 — um dos activos petrolíferos mais produtivos da história angolana. O investimento não é exclusivo da ExxonMobil: é uma decisão conjunta dos parceiros do bloco, que inclui também a Azule Energy, a Equinor e a Sonangol, ainda que a ExxonMobil, como operadora, assuma o papel mais visível no anúncio e na execução do projecto.

O investimento está associado à Decisão Final de Investimento (DFI) confirmada em Novembro de 2025 pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e pelos parceiros do Bloco 15, destinada a modernizar equipamentos, actualizar infraestruturas e prolongar a vida útil operacional das instalações de Mondo e Saxi-Batuque até 2032 — o chamado Projecto Kizomba C. Segundo a ANPG, este processo de revitalização do bloco visa recuperar recursos adicionais ainda por explorar, optimizar infraestruturas já existentes e garantir a continuidade da produção, num quadro que a própria agência reguladora descreve como um exemplo de maior eficiência e sustentabilidade operacional para os activos petrolíferos maduros do país.

Hunter Farris, vice-presidente para águas profundas da ExxonMobil Corporation, afirmou, na altura do anúncio, que a decisão de continuar a investir em Angola reflecte a resiliência, a determinação e a visão evidentes na indústria petrolífera do país, recordando que a ExxonMobil foi a primeira empresa a operar em regime de partilha de produção no Bloco 15. Segundo Farris, melhorias no ambiente de investimento, relações de confiança consolidadas, o regime fiscal, a inovação e as parcerias permitem à empresa continuar a trabalhar em Angola, criando benefícios mútuos entre o investidor e o país anfitrião.

Um bloco histórico que continua a atrair capital

O Bloco 15, situado a cerca de 145 quilómetros da costa norte angolana, iniciou a sua exploração em 1994 e já produziu, ao longo de mais de três décadas, cerca de 2,7 mil milhões de barris de petróleo — um dos volumes de produção mais elevados de toda a história petrolífera angolana. É operado pela Esso Exploration Angola, subsidiária da ExxonMobil, com 36% de participação, ao lado da Azule Energy (participações combinadas de 42%), da Equinor (12%) e da Sonangol Exploração e Produção (10%).

Este ano, a data assinalada dos 32 anos do bloco serviu de palco para o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, reforçar publicamente o apelo aos operadores petrolíferos em Angola: depois de considerar já superado o desafio de estabilizar a produção nacional, o governante angolano apelou às companhias para ultrapassarem a fasquia de um milhão de barris de petróleo produzidos por dia em todo o país — um objectivo que investimentos como o do consórcio do Bloco 15 ajudam directamente a sustentar.

Um investimento inserido numa aposta muito maior da ExxonMobil em Angola

Os três mil milhões de dólares comprometidos para o Bloco 15 até 2030 são apenas uma fatia de um envelope de investimento muito mais amplo que a ExxonMobil tem vindo a anunciar para o país. A companhia já indicou publicamente que poderá injectar até 15 mil milhões de dólares no desenvolvimento da Bacia do Namibe, uma área ainda pouco explorada de Angola, caso as campanhas de perfuração em curso confirmem a existência de reservas comerciais de petróleo e gás — um investimento que, segundo estimativas da Câmara Africana de Energia, poderá gerar entre 20 e 40 mil milhões de dólares de receita para o Estado angolano, com potencial para impulsionar o desenvolvimento socioeconómico, a diversificação da economia e o reforço do conteúdo local.

Este posicionamento da ExxonMobil surge integrado numa fase de forte dinamismo do sector petrolífero angolano como um todo: segundo dados da própria ANPG, o país está actualmente a atravessar uma campanha de investimento no sector upstream avaliada em cerca de 70 mil milhões de dólares, à qual se somam também os compromissos de outras operadoras internacionais, como os três mil milhões de dólares que a TotalEnergies prevê investir nos próximos anos, ou os cinco mil milhões anunciados pela Azule Energy.

O que está em causa para Angola

Este tipo de investimento reflecte uma mudança de abordagem que a ANPG tem promovido junto das operadoras internacionais nos últimos anos: em vez de deixar activos petrolíferos maduros, como o Bloco 15, entrarem em declínio irreversível à medida que se esgotam as reservas mais acessíveis, o Governo angolano tem incentivado soluções contratuais e técnicas — como extensões de licença, adendas aos contratos de partilha de produção e decisões finais de investimento dedicadas à modernização de infraestruturas — que permitem prolongar a vida útil das instalações existentes e maximizar o valor dos recursos ainda por extrair.

Para Angola, que nos últimos anos tem procurado inverter mais de uma década de queda na produção de crude e reafirmar o seu estatuto histórico como um dos maiores produtores de petróleo de África, compromissos financeiros desta dimensão — vindos de parceiros de longa data como a ExxonMobil — são apresentados pelo Executivo e pela ANPG como prova de que o país continua a conseguir atrair capital internacional significativo para o seu sector energético, mesmo numa fase em que grande parte dos activos petrolíferos nacionais já não são novas descobertas, mas sim projectos maduros que exigem investimento contínuo para se manterem competitivos e produtivos.

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