O índice de confiança dos consumidores em Angola registou uma melhoria assinalável no segundo trimestre de 2026, mantendo-se num patamar superior à média da série histórica iniciada no final de 2019. Segundo os dados apurados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o indicador progrediu tanto em comparação com o trimestre anterior como em relação ao período homólogo de 2025, impulsionado por expectativas mais favoráveis em relação à evolução da economia, ao emprego, às finanças familiares e ao comportamento dos preços nos próximos doze meses.
Trata-se do sexto trimestre consecutivo em que as famílias manifestam uma perspectiva positiva sobre a evolução futura da sua situação financeira. A leitura do INE demonstra uma consolidação gradual do sentimento de esperança no tecido social, motivada pela antecipação de um quadro macroeconómico mais benigno.
Optimismo contrasta com as dificuldades do quotidiano
No entanto, estes sinais de optimismo ao nível das expectativas contrastam fortemente com a realidade vivida no dia-a-dia. A capacidade de poupança, embora a dar sinais de ligeira recuperação, continua a ser um obstáculo intransponível para a maioria da população: cerca de 64% dos inquiridos admitem continuar a enfrentar sérias dificuldades para constituir reservas financeiras. Apesar de o valor traduzir um progresso face aos 70% registados anteriormente, evidencia a escassa margem de manobra dos orçamentos domésticos.
A contenção reflecte-se de forma idêntica nas intenções de consumo de bens de elevado valor. O estudo aponta que 61 em cada 100 consumidores não tencionam adquirir automóvel nos próximos dois anos — um agravamento face aos 58 assinalados no período homólogo. No mercado habitacional, o cenário é semelhante, com 40% dos inquiridos a declararem não ter qualquer intenção de comprar ou construir casa própria.
O teste da inflação no orçamento familiar
O panorama traçado pelo INE ilustra, assim, uma recuperação da confiança que ainda não se traduziu num aumento efectivo do poder de compra. Embora as famílias acreditem na melhoria geral da economia e na redução do desemprego, o consumo continua fortemente condicionado pela limitação dos rendimentos disponíveis, pelo elevado custo de vida e pelo difícil acesso ao crédito.
O grande teste para os próximos meses residirá em determinar se a esperada descida da taxa de inflação chegará, de facto, ao bolso do cidadão comum, convertendo as expectativas favoráveis em capacidade financeira real.