Os preços do petróleo já somam mais de 10% desde o início da semana, depois do reacender das hostilidades no Médio Oriente. O bloqueio dos EUA aos portos e navios iranianos está a ajudar. A cotação do barril de petróleo Brent para entrega em Setembro terminou esta terça-feira no mercado de futuros de Londres em alta de 1,72%, para os 84,73 dólares, depois de, durante a sessão, ter chegado a superar os 87 dólares — um ganho superior a 5% em relação à abertura.
O crude do Mar do Norte fechou a sessão no Intercontinental Exchange a cotar 1,43 dólares acima dos 83,30 dólares com que tinha encerrado as transacções na segunda-feira. Já o West Texas Intermediate, referência dos Estados Unidos, para entrega em Agosto, avançou 1,54%, para 79,34 dólares.
A situação no Médio Oriente continua instável, e isso reflecte-se nos preços da energia, com o petróleo a disparar para máximos de um mês nos mercados internacionais. As negociações entre os Estados Unidos e o Irão pela via da paz, depois do memorando de entendimento assinado em inícios de Junho, estão de novo na “corda bamba”, e os investidores começam já a reforçar as apostas em subidas dos juros directores por parte dos bancos centrais, devido às pressões inflacionistas que daqui podem resultar.
Durante o fim-de-semana, os Estados Unidos atacaram vários alvos militares iranianos, com o objectivo, segundo as forças norte-americanas, de diminuir a capacidade de Teerão para atacar embarcações que tentassem atravessar o Estreito de Ormuz. Em resposta, o regime dos ayatolas lançou ofensivas contra aliados de Washington no Médio Oriente. O resultado foi um “rally” nos preços do petróleo logo no início da semana, com ambas as referências a subirem perto de 10% na segunda-feira, depois de Donald Trump ter anunciado a reposição do bloqueio naval dos Estados Unidos ao Irão — que entrou em vigor esta terça-feira, às 20h de Londres — e exigido uma taxa de 20% pela travessia em segurança de embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, uma espécie de portagem.
Essa reacção altista perdeu, no entanto, força ao longo da sessão de terça-feira, depois de Trump ter recuado da ideia da taxa apenas 24 horas depois de a ter anunciado. “Depois de conversações muito produtivas com líderes do Médio Oriente, decidi substituir a taxa de reembolso de 20% dos EUA por acordos comerciais e de investimento que os diferentes Estados do Golfo vão realizar nos EUA”, escreveu o Presidente norte-americano na sua rede social, sem adiantar pormenores sobre esses compromissos, que classificou apenas como “massivos”. Trump manteve, ainda assim, o bloqueio total a navios que entrem ou saiam de portos iranianos, ou que transportem carga ligada ao Irão.
Este vaivém nas decisões do Presidente norte-americano tem levado cada vez mais investidores a decidir com base no chamado “TACO trade” — acrónimo de Trump Always Chickens Out (“o Trumpacobarda-se sempre”) —, uma estratégia que consiste em apostar em movimentos contrários aos que os mercados incorporam de imediato quando o Presidente faz declarações mais agressivas, como já aconteceu anteriormente com ameaças de tarifas alfandegárias radicais que depois não se confirmaram.