Banco Nacional de Angola defende que integração da moeda nacional na plataforma regional reforça, a prazo, a eficiência da gestão das divisas do país e abre caminho a benefícios crescentes para empresas e consumidores
A integração da moeda angolana kwanza como moeda de liquidação no Sistema de Liquidação a Bruto em Tempo Real da SADC (SADC-RTGS) não representa uma ameaça às reservas internacionais do país, garante a directora do Departamento do Sistema de Pagamentos do Banco Nacional de Angola (BNA), Cristina Caniço.
Segundo a responsável, ao aumentar a procura regional pela moeda nacional e reduzir a dependência de moedas intermediárias, a integração deverá contribuir, ao longo do tempo, para uma utilização mais eficiente das reservas em divisas do país. “Não vislumbramos grandes impactos a nível das reservas internacionais. Continuamos a ter as mesmas operações que são feitas hoje a nível do SADC-RTGS”, explicou Cristina Caniço, em conferência de imprensa. A única diferença, sublinhou, é que essas operações passam a ser feitas em kwanza, e não em rand ou noutra moeda externa aos países participantes na comunidade.
Uma mudança estrutural com efeitos que se acumulam com o tempo
A formalização do processo foi assinada pelo governador do Banco Nacional de Angola, Manuel Tiago Dias, e pelo seu homólogo do Banco de Reserva da África do Sul e presidente do Comité de Governadores dos Bancos Centrais da SADC (CCBG), Lesetja Kganyago. O kwanza torna-se, assim, a segunda moeda de liquidação admitida no SADC-RTGS que, desde a sua criação em 2013, operava exclusivamente com o rand sul-africano. Actualmente, o sistema conta com a participação de 15 países da região.
Nesta fase inicial, cinco bancos comerciais angolanos foram autorizados a operar na plataforma regional: o Banco Angolano de Investimentos (BAI), o Banco Internacional de Crédito (BIC), o Banco de Negócios Internacional (BNI), o Banco de Crédito Sul (BCS) e o Banco Yetu — um primeiro grupo que deverá servir de base à expansão gradual do número de instituições habilitadas a operar directamente em kwanzas na região.
Menos custos, mais agilidade — um benefício que cresce com o tempo
Ao permitir a liquidação directa em kwanzas, as instituições financeiras e as empresas passam a poder evitar a necessidade de conversões cambiais através de moedas estrangeiras externas ao sistema, diminuindo os custos repassados aos clientes — um ganho que tende a acumular-se e a tornar-se mais visível à medida que cresce o volume de transacções processadas nestes moldes.
O Banco Central sublinha ainda que esta diversificação facilita as trocas comerciais directas entre empresas e clientes na região, optimizando a gestão de fluxos de caixa e garantindo maior agilidade no acesso a recursos financeiros — benefícios que deverão consolidar-se progressivamente, à medida que mais operadores económicos angolanos e da SADC passem a integrar esta forma de liquidação nos seus processos comerciais habituais.
Um processo pensado para se alargar a outras moedas da região
O plano estratégico da organização prevê a inclusão futura de outras divisas regionais, estando o pula do Botsuana já numa fase avançada de integração — um sinal de que o sistema tende a tornar-se, com o tempo, cada vez mais multimoeda, reduzindo progressivamente o peso do rand como intermediário quase obrigatório nas trocas comerciais dentro da região austral africana.
Esta evolução mais ampla reforça, segundo o BNA, a perspectiva de uma integração financeira regional mais profunda: à medida que mais países da SADC vejam as suas moedas nacionais reconhecidas como meios de liquidação directa, espera-se que o comércio intra-regional ganhe maior fluidez, com menos fricção cambial e maior previsibilidade para empresas, bancos e consumidores em toda a região austral de África.