Mercados Financeiros

BNA alinha Angola com a tendência global de regulação responsável da inovação financeira

O governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, afirmou recentemente que uma inclusão financeira sustentável exige um ecossistema financeiro moderno, acessível, seguro e inovador — uma posição que aproxima Angola de um movimento regulatório hoje generalizado entre os bancos centrais de todo o mundo.

“É neste contexto que o Banco Nacional de Angola tem vindo a modernizar o seu quadro regulamentar e a criar condições para que a inovação tecnológica possa prosperar de forma responsável, equilibrando a promoção da concorrência com a salvaguarda da estabilidade financeira e da confiança no sistema”, referiu o governador, que discursava na abertura da 15.ª Reunião dos Líderes da Iniciativa de Políticas de Inclusão Financeira Africana (AfPI).

Para Manuel Tiago Dias, a inovação deve ser encarada como aliada da regulação, e não como seu substituto. “Por essa razão, o Banco Nacional de Angola tem reforçado o diálogo com o ecossistema das fintechs, dos prestadores de serviços de pagamento e dos diversos agentes de inovação financeira, promovendo mecanismos que favoreçam o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas, sem comprometer a segurança, a integridade e a estabilidade do sistema financeiro”, ressaltou.

A aposta angolana em ambientes de testes regulamentares — as chamadas sandboxesregulatórias, que permitem testar novos modelos de negócio em ambiente controlado, reduzindo riscos para os consumidores e para o sistema financeiro — segue de perto uma prática hoje quase universal entre os reguladores financeiros: praticamente todos os países do G20 têm já em vigor mecanismos deste tipo, criados justamente para permitir que as fintechs experimentem produtos e serviços sob supervisão, sem comprometer a estabilidade do sistema. O BNA junta-se, assim, a uma tendência regulatória global que, em 2026, tende a divergir em ênfase consoante a região: os Estados Unidos apostam na desregulação para estimular a inovação, a União Europeia procura simplificar e harmonizar regras para ganhar competitividade, o Reino Unido prioriza o crescimento sobre o risco, a Ásia-Pacífico investe em inovação e desenvolvimento de mercado, e a América Latina centra-se na inclusão financeira e na protecção do consumidor — um posicionamento mais próximo daquele que Angola e o continente africano têm vindo a adoptar.

“À medida que aceleramos a inclusão financeira e a digitalização dos serviços financeiros, aumenta, igualmente, a nossa responsabilidade colectiva de proteger os cidadãos e preservar a confiança no sistema financeiro”, sublinhou o governador. A preocupação acompanha uma tendência global: a par da inovação, a cibersegurança tornou-se uma das principais prioridades dos reguladores financeiros mundiais, num contexto de maior incerteza geopolítica e de ameaças cada vez mais sofisticadas a instituições que operam além-fronteiras — uma pressão que levou, por exemplo, a União Europeia a criar novas exigências mínimas de segurança digital para o sector financeiro e tecnológico. Ao mesmo tempo, a generalidade da banca mundial tem vindo a adoptar, a um ritmo acelerado, soluções de inteligência artificial para gerir riscos e operações, o que reforça ainda mais a necessidade de enquadramentos regulatórios capazes de acompanhar essa transformação tecnológica sem abrir novas vulnerabilidades.

“Os desafios estruturais que enfrentamos — desde a inclusão financeira, à digitalização, à cibersegurança, às alterações climáticas e ao financiamento do desenvolvimento — ultrapassam fronteiras e exigem uma resposta colectiva, coordenada e sustentada”, apontou Manuel Tiago Dias. “É precisamente neste contexto que a Iniciativa de Políticas de Inclusão Financeira de África se afirma como uma das mais relevantes plataformas de cooperação entre bancos centrais africanos, promovendo a partilha de experiências, a harmonização de abordagens regulatórias e o desenvolvimento de soluções adaptadas às realidades económicas e sociais do nosso continente”, assegurou.

O governador do BNA considerou que a cooperação entre bancos centrais será determinante para acelerar a integração financeira africana, facilitar os pagamentos transfronteiriços, estimular a inovação responsável e reforçar a confiança dos cidadãos nos sistemas financeiros. “O futuro da inclusão financeira em África dependerá da nossa capacidade colectiva para colocar a inovação ao serviço das pessoas, construir instituições cada vez mais fortes, aprofundar a cooperação regional e assegurar que ninguém fique excluído das oportunidades proporcionadas pela transformação económica e digital”, sinalizou.

Segundo Manuel Tiago Dias, o continente africano registou, nas últimas décadas, progressos assinaláveis no domínio da inclusão financeira, impulsionados pela expansão das infra-estruturas de telecomunicações, pela massificação dos serviços financeiros digitais, pela disrupção tecnológica e pelo progressivo amadurecimento dos enquadramentos regulatórios, factores que permitiram que milhões de cidadãos, antes excluídos do sistema financeiro formal, passassem a ter acesso a produtos e serviços essenciais.

“Contudo, os desafios que hoje enfrentamos são substancialmente diferentes daqueles que marcaram a última década. Já não basta medir o sucesso pelo número de contas bancárias abertas, de carteiras digitais activadas ou de agentes bancários existentes”, considerou o governador. O verdadeiro desafio, precisou, consiste em assegurar que a inclusão financeira produza resultados concretos na vida dos cidadãos, contribuindo para a redução da pobreza, o aumento da produtividade, a criação de oportunidades económicas e o fortalecimento da resiliência das famílias e das empresas — um objectivo que, à escala global, tem vindo a substituir os indicadores puramente quantitativos como métrica central do sucesso das políticas de inclusão financeira, tanto nos mercados emergentes como nas economias mais desenvolvidas.

 

Relacionadas

Bruno Fernando assina pelo Anadolu Efes, de Istambul

O basquetebolista angolano Bruno Fernando é o mais novo reforço

Preço do Brent sobe mais de 4% para 79 dólares

O preço do petróleo Brent disparou mais de 4% esta

Morreu Sam Neill, estrela de Jurassic Park e Peaky Blinders,

O actor neozelandês Sam Neill, cuja carreira atravessou desde filmes