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Banco Mundial reforça protecção financeira do Corredor do Lobito com garantia de 62,6 milhões

O Grupo Banco Mundial emitiu garantias no valor de 62,6 milhões de dólares (cerca de 53,7 milhões de euros) para cobrir os investimentos de capital da Mota-Engil na Lobito Atlantic Railway, empresa responsável pela operação do Corredor do Lobito, reforçando a protecção financeira de um projecto estratégico para Angola e para o escoamento de minerais críticos da África Central. O anúncio foi feito esta quinta-feira, dia 10, pela instituição financeira internacional.

A garantia foi emitida pela Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA), braço do Grupo Banco Mundial dedicado à cobertura de riscos políticos e comerciais para investimentos em países em desenvolvimento, e cobre os investimentos de capital da empresa portuguesa contra riscos de expropriação, conflito e perturbação civil, e incumprimento contratual. “A Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA) emitiu garantias no valor de 62,6 milhões de dólares à empresa portuguesa de construção Mota-Engil, para cobrir os seus investimentos de capital na Lobito Atlantic Railway, que opera o Corredor do Lobito ao abrigo de uma concessão de 30 anos com o Governo de Angola”, lê-se no comunicado enviado à agência Lusa.

A Mota-Engil é responsável pela operação, gestão, manutenção e modernização, a longo prazo, de cerca de 1.300 quilómetros de infraestrutura ferroviária que atravessa Angola de leste a oeste, desde a cidade de Luau, na fronteira com a República Democrática do Congo (RDC), até ao Porto do Lobito, na costa atlântica angolana. A concessão inclui ainda a operação de um terminal de minerais localizado no próprio Porto do Lobito. A Lobito Atlantic Railway, concessionária responsável pela gestão do corredor, resulta de uma parceria entre a Mota-Engil, a multinacional de trading de matérias-primas Trafigura e a operadora ferroviária independente Vecturis, tendo sido formalmente investida na concessão do corredor em cerimónia realizada em Julho de 2023, com a presença dos presidentes de Angola, da RDC e da Zâmbia.

Para o Grupo Banco Mundial, o projecto tem uma dimensão que ultrapassa largamente a ligação ferroviária entre Angola e a RDC, ao constituir uma das rotas mais competitivas para ligar a região mineira conhecida como Copperbelt — rica em cobre e cobalto — aos mercados internacionais, oferecendo tempos de trânsito significativamente inferiores aos das actuais alternativas rodoviárias. O cobre e o cobalto são matérias-primas essenciais para as tecnologias de energia limpa, incluindo baterias para veículos eléctricos e sistemas de armazenamento de energia — um factor que reforça a relevância estratégica do corredor no contexto da transição energética global.

Esta garantia da MIGA junta-se a outros apoios financeiros internacionais já mobilizados para o projecto, entre os quais o financiamento da International Development Finance Corporation (DFC) dos Estados Unidos, que aprovou um investimento inicial de 250 milhões de dólares em Fevereiro de 2024, reforçado dois meses depois com um empréstimo adicional de 553 milhões de dólares para o desenvolvimento da Lobito Atlantic Railway — um sinal do interesse internacional crescente no Corredor do Lobito como infraestrutura estratégica de conectividade regional e de acesso a minerais críticos para a transição energética global.

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