Os 21 bancos do sistema financeiro angolano subscreveram 8,2 biliões de kwanzas em títulos de dívida pública em 2025, um crescimento de 26,15% face aos 6,5 biliões aplicados no ano anterior, segundo o estudo “Banca em Análise” da Deloitte.
Em paralelo, o crédito líquido concedido a empresas e particulares ficou-se pelos 7,08 biliões — uma diferença de 1,12 biliões a favor do Tesouro que ilustra a clara preferência dos bancos pelo risco soberano em detrimento do financiamento à economia real.
Com o reforço de 1,7 biliões de kwanzas canalizado para o Estado em apenas doze meses, o peso dos títulos públicos na carteira de Títulos e Valores Mobiliários subiu de 86% para 88%. No total, os TVM representam agora 35% dos ativos da banca — mais três pontos percentuais do que em 2024.
A Deloitte sublinha que esta concentração “revela a natureza conservadora do sistema financeiro nacional”, que privilegia ativos com menor risco de crédito e rentabilidade atrativa em detrimento do crédito à economia produtiva. A consultora alerta que o crescimento do peso dos títulos públicos nos balanços bancários “pode limitar o papel de intermediação financeira ao setor produtivo e aumentar a sensibilidade dos balanços a desenvolvimentos nas condições fiscais e de financiamento do Estado”.
O Banco Nacional de Angola tem reiterado os riscos desta concentração excessiva no risco soberano, recomendando uma maior diversificação dos activos e incentivando os bancos a canalizar mais recursos para o crédito productivo, sob pena de comprometer a estabilidade financeira a médio prazo.