Mercado & Finanças

BAI lidera banca angolana, mas sector ainda tem “longo trabalho a fazer”

O Banco Angolano de Investimentos (BAI) assumiu a liderança dos resultados líquidos da banca angolana em 2025, ultrapassando o Banco de Fomento Angola (BFA), que havia liderado nos dois anos anteriores.

O BAI registou lucros de 295.682 milhões de kwanzas, contra os 230.622 milhões de kwanzas do BFA. Os cinco maiores bancos concentraram cerca de 78% dos resultados líquidos do sector — um sinal da forte concentração que continua a caracterizar o sistema financeiro angolano.

Os dados constam do estudo Banca em Análise 2026, apresentado esta semana em Luanda pela Deloitte, que abrange os 21 bancos em actividade em Angola em 2025 — menos um do que em 2024, após a dissolução voluntária do Banco VTB África. O Access Bank Angola e o Banco de Negócios Internacional (BNI) ficaram de fora por não terem publicado as contas dentro do prazo legal.

O crescimento do sector foi impulsionado pela margem financeira, pela margem complementar e pelos resultados cambiais, que totalizaram 429.265 milhões de kwanzas, reflexo do aumento das operações de financiamento ao comércio externo, transacções cambiais e venda de divisas.

Nem todos navegaram bem. O Banco Sol foi o único a fechar o ano no vermelho, com um prejuízo de 5.405 milhões de kwanzas, em linha com o plano de recapitalização em curso. O Banco de Poupança e Crédito (BPC) caiu da quarta para a 20.ª posição. Do lado positivo, o Banco Económico regressou ao lucro pela primeira vez desde 2021.

O crédito concedido a clientes cresceu 23,3% para 7,08 biliões de kwanzas, acima da média dos últimos cinco anos. Mas o número que melhor resume o atraso estrutural da banca angolana é outro: o rácio crédito/PIB é de apenas 7,83% — quando Portugal está nos 56% e a África do Sul nos 67%. Como sublinhou o presidente da Deloitte Angola na apresentação, há ainda “um longo trabalho a fazer”.

No mercado de capitais, a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (Bodiva) ultrapassou pela primeira vez os quatro biliões de kwanzas de capitalização bolsista em 2025, um crescimento de 202% face ao ano anterior. A OPI do BFA foi a maior operação de sempre no mercado angolano, captando cerca de 207 milhões de euros. Para 2026, estão previstas as estreias bolsistas da Unitel e do Standard Bank de Angola, no âmbito do programa de privatizações do Estado.

A digitalização avança a bom ritmo: o Multicaixa Express concentrou 60% das operações da rede Multicaixa, o sistema de transferências instantâneas KWiK processou cerca de 35 milhões de operações, e o número de transacções electrónicas cresceu 50% em 2025. A rede de agentes de pagamento expandiu 63,4% para 11.830 pontos — em sentido contrário ao número de agências físicas, que diminuiu.

 

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