Angola alcançou progressos significativos no cumprimento das exigências do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), com duas recomendações já consideradas largamente cumpridas, revelou esta quarta-feira, em Luanda, a directora-geral da Unidade de Informação Financeira (UIF), Fausta Muzumbi.
A responsável falava à margem de um workshop promovido pela UIF sobre o papel dos órgãos de comunicação social no sistema nacional de prevenção e combate ao branqueamento de capitais — o primeiro de uma série de iniciativas que a instituição pretende desenvolver junto dos jornalistas e do público para melhorar a compreensão sobre a sua missão.
Fausta Muzumbi explicou que o país concluiu a Avaliação Nacional de Risco e as respectivasavaliações sectoriais, etapas consideradas fundamentais no plano de acção acordado com o GAFI. A estratégia nacional, sublinhou, passa pela saída da lista cinzenta e pela consolidação de mecanismos que garantam a conformidade técnica das instituições e evitem o regresso ao processo de monitorização reforçada. “O alcance desse objectivodepende do empenho conjunto das instituições nacionais e da consolidação de uma cultura de prevenção e combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo”, afirmou.
70 deficiências superadas em quatro anos
Angola entrou na lista de monitorização reforçada do GAFI após uma visita de inspectores ao país em 2021, que identificou 87 deficiências no sistema de prevenção e combate ao branqueamento de capitais. Até 2025, o país conseguiu superar 70 dessas deficiências, comprometendo-se a resolver as restantes 17 num prazo curto.
Na última avaliação do GAFI, realizada a 24 de Outubro de 2025, foram analisados os relatórios de vários países africanos em situação semelhante — entre os quais a África do Sul, Moçambique, Namíbia, Nigéria, Tanzânia, Camarões e a República Democrática do Congo, todos na lista há mais tempo do que Angola.
Operações suspeitas e partilha de informação
O director-geral adjunto da UIF, António dos Santos, destacou a importância da partilha de informação entre as instituições do sistema nacional e o reforço da formação dos técnicos e dos pontos focais responsáveis pela articulação institucional. Quanto às comunicações de operações suspeitas, esclareceu que a UIF recebe um volume considerável de informações, processadas continuamente pelos mecanismos de monitorização existentes, mas ressalvou que uma operação suspeita não significa necessariamente a existência de um crime de branqueamento de capitais.
António dos Santos reiterou que Angola permanece em processo de monitorização reforçada, mas manifestou confiança nos resultados das medidas em curso e no compromisso das autoridades nacionais em cumprir as recomendações internacionais e alcançar a saída da lista cinzenta.